As pesquisas especializadas têm confirmado que uma significativa parte de diretores e conselheiros não acreditam que a atividade de auditoria interna tem gerado valor relevante para a organização. Esta percepção vai além de nossas fronteiras, abrangendo corporações sediadas em outros países.

Logicamente, estamos falando aqui somente das empresas que já atingiram maturidade de gestão suficiente para contar com uma atividade de auditoria interna em sua organização. Infelizmente, existe uma grande parcela de empresas que ainda não atingiram este estágio.

Mas quais motivos levam os diretores e conselheiros terem esta percepção?

Um dos motivos mencionados nas pesquisas é que a auditoria interna não tem acompanhado as mudanças ocorridas nos ambientes de negócio onde a empresa está inserida, pois os auditores estão atuando com um maior foco no micro mundo da operação.

A auditoria interna tem concentrado suas avaliações somente para assegurar a conformidade e/ou regularidade, deixando de lado uma avaliação mais voltada ao desempenho operacional, principalmente quanto à eficiência, eficácia e economia dos processos que compõem o ciclo de negócio.

Outro ponto observado é o perfil reativo da auditoria, algumas vezes devido à falta de recursos adequados, outra por não estar alinhada às necessidades estratégicas da corporação. Espera-se uma maior proatividade por parte da auditoria interna.

Tudo isto resulta na percepção de que o custo e benefício de se ter uma auditoria interna não são positivos, isto é, o seu custo não é recuperado através dos ganhos gerados por meio de suas recomendações.

Para que possamos alterar esta percepção é necessário que a auditoria interna observe os oito atributos abaixo relacionados. Neste ponto, precisamos lembrar que a atividade de auditoria é parte do sistema de controles internos da organização, além de ser uma auditoria proativa e voltada ao fortalecimento dos fundamentos da governança, de forma que auxilie a organização para atingir seus objetivos estratégicos.

Vejamos quais são os atributos para que exista uma auditoria interna de alto desempenho:

1. A auditoria deve estar alinhada às necessidades estratégicas da organização. Deve ter uma visão clara do contexto corporativo onde a empresa está inserida, isto significa: conhecer os requisitos estratégicos de negócio e a dinâmica de seu fluxo financeiro, de geração de resultado e de caixa operacional;

2. Ter uma visão compreensiva dos riscos corporativos, operacionais e estratégicos, para estruturar um plano de trabalho, com base em riscos. De forma que faça a alocação dos recursos da auditoria, que são limitados, nos objetos de maior risco para a organização;

3. Além dos trabalhos de avaliação de conformidade e/ou regularidade, também deve ser feita a avaliação de desempenho dos fluxos de negócios chaves, definidos com base nos riscos inerentes, riscos de fraudes e/ou riscos de TI, com o objetivo de torná-los mais eficientes, eficazes e econômicos;

4. As normas e as melhores práticas de auditoria devem ser observadas e consideradas na condução dos trabalhos. Os auditores devem ter proficiência na aplicação das normas e melhores práticas, direcionando a metodologia e os procedimentos de auditoria que serão aplicados em cada avaliação;

5. Integrar a visão de prestação de serviços nas atividades de auditoria, considerando que os objetivos a serem alcançados pelo trabalho devem ter uma relação custo e benefício positivos. Em outras palavras, o resultado obtido com o trabalho de auditoria deve ser maior que o custo para realizar a avaliação;

6. A equipe de auditoria deve ser eclética, composta por profissionais com expertise operacional necessária para conduzir a avaliação em todos os processos da organização. Além disso, deve contar com um plano de educação continuada de forma a capacitá-la para atender as mudanças do ambiente corporativo;

7. Ter uma visão de futuro na avaliação dos processos, de forma que os resultados destas avaliações auxiliem a organização a se preparar para as mudanças necessárias para a manutenção dos negócio;

8. A auditoria deve ser o agente de mudança para o fortalecimento da ética e da estrutura de governança da corporação, auxiliando e fomentando uma consciência de riscos, comportamentos éticos, prevenção à fraude e a importância de um bom sistema de controles internos para o sucesso da empresa.

A auditoria interna deve, de forma transparente, ter um papel muito ativo, sem impactar sua independência, no processo de criação e estabelecimento de todos os componentes necessários para um modelo equilibrado de decisão, contribuindo para que a empresa atinja seus objetivos, crie valor às partes relacionadas, de maneira sustentável, contribuindo para sua perenidade.

Eduardo Person Pardini – Sócio principal, responsável pelos projetos de governança, gestão de riscos, controles internos e auditoria interna da Crossover Consulting & Auditing . É diretor executivo do Internal Control institute - chapter Brasil, palestrante e instrutor do IIA Brasil.


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