MARCELO TOLEDO

RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - O Ministério Público Estadual em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo) denunciou quatro pessoas sob a acusação de envolvimento com o mega-assalto a uma empresa de transporte de valores na cidade, em julho do ano passado.

Duas pessoas foram mortas, entre elas um policial rodoviário, após o ataque cinematográfico à Prosegur, na madrugada de 5 de julho.

Com entre 20 e 40 homens, a quadrilha utilizou caminhões e até uma retroescavadeira para bloquear ruas no entorno da empresa, a apenas dois quilômetros do quartel da Polícia Militar na cidade. O grupo detonou explosivos, trocou tiros com a polícia por cerca de uma hora e fugiu do local com mais de R$ 51 milhões, segundo a Promotoria.

Marcas de tiros de metralhadoras calibre 50 -usadas em baterias antiaéreas- e fuzis foram encontradas em imóveis das redondezas. O ataque deixou a região da empresa no escuro, após os criminosos atirarem em cinco transformadores de energia elétrica.

No vídeo é possível ouvir os disparos feitos pelo grupo durante roubo a empresa de valores

De acordo com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), as denúncias foram feitas após investigação da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e envolvem os veículos usados na ação. O caso corre em sigilo.

É a segunda denúncia alusiva ao caso -a primeira foi em agosto- e teve como alvo fornecedores de veículos blindados para que a quadrilha praticasse o crime. A polícia estima que os assaltantes usaram de 12 a 15 veículos na ação.

No dia seguinte ao crime, sete veículos foram encontrados em uma lavoura de cana-de-açúcar em Jardinópolis, cidade vizinha a Ribeirão Preto. Neles, foram achados documentos internos da Prosegur que mostravam a movimentação financeira de carros-forte, munição e sobra de pregos utilizados para impedir a chegada de carros da polícia ao local do crime.

DIVISÃO

A investigação mostrou até aqui que a quadrilha agia com uma forte organização. Alguns dos ladrões tinham como função levantar informações do local do roubo, enquanto outros estavam incumbidos de conseguir os veículos blindados.

Enquanto isso, o aluguel da chácara utilizada pelo grupo nos dias anteriores à ação ficou a cargo de uma parte do grupo e o restante foi responsável por conseguir as armas. As prisões preventivas dos acusados foram decretadas e três deles estão detidos -um segue foragido.


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