"Há muito a percorrer", disse a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, sobre o enfrentamento à desigualdade de gênero no Brasil. "O preconceito contra a mulher continua e ele é grande. Não há nenhum engano quanto a isso", enfatizou a ministra, na manhã desta quinta-feira, 9, durante o 'Seminário Nacional - Os Direitos Humanos, os 30 anos da Constituição Federal e os 70 anos das Declarações Americanas e Universal', do qual participou ao lado da procuradora-Geral da República, Raquel Dodge.

A ministra começou a palestra comentando, descontraída, a experiência como professora, para chegar ao tema do direito das mulheres e de minorias no País. "Eu costumo dizer para os meus alunos: claro, aluno 'cola', a gente apenas dificulta, na medida do possível", iniciou a ministra, para contar sobre a história de um aluno que escreveu sobre os 'freios e contratempos' no Brasil, em vez de 'freios e contrapesos', sistema da separação de poderes, como a ministra havia pedido - o que divertiu a plateia. "O Brasil já nasceu com os 'contratempos', mas eu costumo dizer que estamos construindo freios, pelo menos ao abuso de poder, pelo menos a todas as formas de ilícitos práticos. Estamos vencendo pouco a pouco as dificuldades", disse Cármen, que deixa a presidência do STF em setembro, quando será sucedida pelo ministro Dias Toffoli.

A ministra também chamou a atenção para a violência sofrida pelas mulheres, asseverando que essas situações nada têm a ver com "ciúme. "Começamos esta semana com a imprensa mostrando cenas cruéis, perversas, contrárias a qualquer possibilidade de aceitação, de violência contra mulheres. E isso não tem nada a ver nem com ciúme, nem com amor, nem com carência. Tem a ver com estrutura de poder, de uma sociedade machista, de uma sociedade preconceituosa, de uma sociedade intolerante, de uma sociedade na qual cada vez mais mostra-se, estampa-se, a absoluta incompreensão com o diferente", comentou ministra.


PALESTRA. Cármen Lúcia, presidente do STF, participou de seminário em São Paulo sobre violência contra a mulher. — CARLOS MOURA/STF


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