A Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) estima que a população de pets no Brasil esteja em torno dos 132,4 milhões. No País, o número de crianças é menor do que o número de cães desde 2015. Cachorros, gatos, aves e roedores são as espécies mais comuns, mas os animais exóticos também conquistaram seus apaixonados.

Para quem tem gatos e cães, a grande maioria, morar em um condomínio vertical nem sempre significa poder oferecer aos pets o espaço de que precisam.A paixão do brasileiro pelos animais de estimação significa também um alto investimento em alimentação, saúde, cuidados e outras despesas. A Abinpet estima que, em 2016, o setor movimentou R$19,2 bilhões.

Pensando nesses números e no bem-estar de quem conquistou o status de membro da família, até as construtoras estão repensando projetos arquitetônicos, inclusive para novos condomínios. Para dar mais conforto aos gatos que ficam longe das árvores e da grama, investir em equipamentos de escalar e brinquedos ajudam muito. Já os cachorros, mesmo os pequenos, precisam sair diariamente para passear e fazer necessidades, mas o ideal mesmo é que se passe um tempo com eles fora do espaço fechado. Quem não pode levá-los ao parque, a um sítio ou mesmo ao pet care (espécie de creche especializada), acaba restringindo essas saídas e muitos cães se tornam sedentários e obesos.

A boa notícia é que os projetos de áreas comuns dos condomínios estão se adaptando a essas necessidades, do morador e do animal de estimação. Em cidades maiores, boa parte dos novos condomínios tem uma área reservada para que os cães e gatos possam "esticar as patas", tomar sol e ficar ao ar livre com seus donos.

Investimento certeiro

A gerente de incorporações da Cyrela Paraná, Sílvia Fernandes, reforça a ideia de que esse planejamento é uma tendência internacional e acompanha as mudanças sociais. O número de pessoas morando sozinhas e de casais com animais de estimação, mas sem crianças, está aumentando na mesma proporção da quantidade de pessoas que tem ao menos um pet.

A empresa projetou dois espaços específicos para novos projetos. O Pet Care (salão para banho e tosa) e o Agility Dog (área que lembra um parque infantil com cones, túneis e demais obstáculos para que os pets se exercitem e gastem as energias).

Segundo Sílvia são estruturas relativamente simples, mas auxiliam no dia a dia e proporcionam comodidade, conforto e economia. "Além de mimar os pets, estes espaços oferecem praticidade e segurança para os moradores . Eles não precisam mais sair do condomínio para passear com seus animais e podem cuidar deles em casa", afirma. Pelo menos dois empreendimentos da empresa, ambos novos, já têm esses espaços garantidos.


Do que eles precisam
Alguns condomínios disponibilizam o uso de jardins e áreas verdes para pets em horários pré-determinados e esse ajuste ajuda a minimizar a sensação de aprisionamento dos animais. Ainda assim, o ideal é que eles possam descer à qualquer hora, para relaxar, brincar. "Esse tipo de investimento é uma questão de inclusão animal, o pet faz parte da família, então nada mais justo do que ser tratado como um morador", acrescenta Fernando Cavalheiro. Ele é gerente de vendas da Graúna Construções, responsável pelo Vivace Residence Club, condomínio que conta com um espaço para pets em Maringá.

A tendência é que os pets conquistem definitivamente mais espaço nos empreendimentos imobiliários, até porque, estruturar o condomínio representa economia para os proprietários.

Para suprir os benefícios que só teriam com passeios mais longos, a ausência de área verde e de exercícios, os donos acabam gastando mais.

Depois do custo com alimentação, os serviços que concentram o maior volume de gastos com os pets é com Pet Service (comércio e serviços), com 16,2% do custo. O grupo de despesas do Pet Care (equipamentos, acessórios, produtos de higiene e medicamentos), vêm em seguida, com 8,1% do total.

Em números absolutos, uma pesquisa promovida pela CVA Solutions estima o gasto médio mensal com a alimentação, saúde e lazer dos pets em R$ 231 em 2017. Outra vantagem é a melhora na convivência entre os moradores. É que a circulação dos pets em áreas comuns diminui e deixa de incomodar quem não gosta tanto assim de estar com eles.


PET. Cada vez mais, condomínios são projetados já pensando nos animais dos moradores. —FOTO: DIVULGAÇÃO

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