Com a perspectiva de um começo de retomada no setor neste ano e diminuição do estoque de 120 mil unidades, as incorporadoras já começam a avaliar o tipo de produto para oferecer. De acordo com o diretor da agência de marketing imobiliário Eugenio Comunicação, Mauricio Eugenio, para voltar a vender, as incorporadoras precisam se adaptar ao novo consumidor, que está preocupado com tecnologia, modernidade, sustentabilidade, austeridade e qualidade de vida.

Marcas como Benx, Brookfield e Tecnisa afirmam que já estão alinhadas com a face atual do mercado e oferecem, nos lançamentos de 2017, apartamentos e condomínios mais enxutos, sem deixar, segundo elas, o conforto e a praticidade de lado.

"Hoje, os clientes não têm mais dois carros, eles usam aplicativos de transporte. Querem saber se o empreendimento contemplou o espaço do Uber ou do táxi e se tem um bom bicicletário", diz Eugenio.

Em sua análise, ele afirma que entre 2008 e 2012 a indústria produziu novos imóveis em escala industrial. "Era uma onda absurda de consumo. As empresas tinham que responder aos seus acionistas. A preocupação era lançar o maior número de empreendimentos possível. Agora, elas devem voltar a se preocupar com projetos bem elaborados", diz.

Para o especialista, é preciso dar atenção ao uso de espaços compartilhados, ao meio ambiente, às questões de lixo e energia. "O novo consumidor – o jovem casal, de 25 ou 30 anos – faz escolhas mais conscientes. Ele quer saber se os materiais são ecologicamente corretos; se o condomínio é moderno, se tem conectividade."

"As pessoas querem uma vida mais prática, com serviços e imóveis funcionais, que estejam alinhados às modernidades da vida", diz o diretor geral da incorporadora Benx, Luciano Amaral.

Os novos empreendimentos da empresa devem oferecer escritórios compartilhados para aqueles que não querem ir até o trabalho nem fazer home office. Amaral diz que lâmpadas de LED e captação e utilização da água da chuva, por exemplo, proporcionarão a economia na conta de condomínio que os consumidores procuram.

A Tecnisa também tem focado nas necessidades do novo público, que nem sempre é o casal jovem e recém-casado. Segundo o presidente da empresa, Meyer Nigri, as pessoas idosas poderão encontrar facilidades como laboratórios e consultórios médicos dentro do próprio condomínio, além de banheiros com barras de segurança já instaladas e piscinas com escadas mais seguras.

Tamanho
A metragem dos apartamentos também deve continuar a se reduzir. Para o presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Flavio Amary, a diminuição do tamanho da área privada é tendência mundial. "Os clientes têm preferido uma ampliação da área compartilhada, com foco em lazer e cultura", diz.

De acordo com o diretor da Brookfield Incorporações, João Mendes, os condomínios também devem passar por uma redução na variedade de atrativos, contrariando a última tendência de condomínios clube. "Em vez de fazer pequenos ambientes, vamos investir em espaços para eventos, piscinas e academias maiores e mais equipados. Essas são as solicitações desse novo consumidor. A incorporadora tem como foco os produtos de médio, médio-alto e alto padrão. "

"O mercado sentiu que lançar muitas unidades prejudica a venda, porque há mais dificuldade no repasse e na operacionalização do condomínio", diz o presidente do grupo de vendas de imóveis Brasil Brokers, Cláudio Hermolin. "Entramos em uma tendência de condomínios menores, de acordo com o novo perfil da família brasileira, que têm menos filhos, ou nenhum."


LAR. É tendência mundial apartamentos cada vez menores. DIVULGAÇÃO

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