Os primeiros Ford Fusion híbridos que vieram para o Brasil, no início da década, estão prestes a completar oito anos. Isso significa que a garantia das baterias desses sedãs está chegando ao fim - oito anos é o limite de cobertura de fábrica para esses componentes.

A partir deste ano, alguns donos da versão Hybrid do Fusion terão de arcar com eventuais despesas de manutenção e troca do conjunto - que, a propósito, não é nada barato. Segundo informações da Ford, a bateria do modelo tem preço de R$ 38.531,21, ou 69% do valor médio da versão 2011 do sedã híbrido (cerca de R$ 56 mil).

Como comparação, o Fusion 2.5 a gasolina de mesmo ano é encontrado no mercado por cerca de R$ 40.500, enquanto a versão 3.0 SEL V6 tem preço médio em torno de R$ 42 mil.

A Ford não revela se houve casos de Fusion Hybrid no Brasil que apresentaram problemas relacionados à bateria. De 2010 até agora, a fabricante contabiliza 2.250 unidades vendidas do sedã híbrido, que, como as demais versões, é produzido no México.

Donos do Toyota Prius (híbrido mais vendido no Brasil e no mundo) estão em condição mais confortável. Como o modelo feito no Japão começou a ser vendido no País em 2013, os mais antigos estão completando cinco anos agora.

A bateria do hatch custa cerca de R$ 10.500 - quase um quarto do preço pedido pela do Ford. Os Prius mais antigos, fabricados em 2013, podem ser encontrados no mercado por cerca de R$ 60 mil.

Segundo o gerente da loja de usados Planetcar, na zona norte, Michel Santos, há pouca oferta de híbridos no mercado. Mas, quando esse tipo de carro aparece, a venda costuma ser rápida e pelo preço de tabela.

Embora não cite números, o diretor de Relações Públicas e Governamentais da Toyota, Ricardo Bastos, diz que a empresa já efetuou "algumas trocas" de bateria do Prius, todas em garantia. Segundo ele, a utilização do carro como táxi foi "um laboratório interessante", e as ocorrências ficaram dentro do esperado. "Não foi nada fora da curva", conta.

Fim de ciclo

Membro da comissão técnica de veículos elétricos e híbridos da SAE Brasil, o engenheiro Ricardo Takahira diz que o que determina o fim da vida de qualquer bateria é o ciclo de carga e recarga, ou seja, o número de vezes que ela pode ser recarregada "Após esse ciclo, a 'saúde' da bateria vai embora."

Quando isso ocorre, segundo Takahira, o consumo de gasolina tende a subir, porque o veículo passa a depender mais do motor a combustão. "Se o carro for totalmente elétrico, a autonomia diminui."

Ford e Toyota devolvem à origem as baterias esgotadas. Mas há no Brasil ao menos uma empresa autorizada a fazer a reciclagem desses componentes. A Suzaquim, localizada em Suzano, na Grande São Paulo, processa o material e extrai metais que podem ser utilizados por fabricantes de tintas.


LIMITE. Com o fim da garantia do fabricante, manutenção de híbridos pode custar o equivalente à compra de um carro popular 0 km.


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