Uma operação policial para coibir a algazarra de jovens na Zona 7, no início da madrugada desta sexta-feira (18), deixou estudantes revoltados com o que veem como arbitrariedade e violência da Polícia Militar (PM). Segundo depoimentos de estudantes presentes, os agentes da PM usaram cassetetes e aparelhos que provocam choques elétricos durante uma fiscalização da Aifu (Ação Integrada de Fiscalização Urbana) ao bar Kanarinhu´s. A Polícia Militar nega as acusações.

Pelo menos seis viaturas policiais e uma do Corpo de Bombeiros, além de motocicletas da PM, estiveram presentes na operação, que começou por volta da 0h30 e durou aproximadamente trinta minutos.

Estudantes ouvidos pela reportagem confirmam que havia pessoas ocupando a via da Rua Paranaguá – local onde jovens tradicionalmente se reúnem durante as noites de quinta-feira, causando frequentes protestos por barulho por parte da vizinhança. Segundo os estudantes, no entanto, a rua não estava bloqueada, com carros subindo normalmente. Os jovens também alegam que mesmo as pessoas que estavam na calçada eram obrigadas a dispersarem, recebendo ameaças se não o fizessem.

O estudante de Administração Douglas Lopes Nicolau, 21, afirma que recebeu pancadas de cassetete enquanto estava com os braços erguidos. "A polícia chegou sem explicar nada, mandando todo mundo subir. Colocaram o cassetete na minha cara, falaram que iam quebrar meus dentes", diz.

A estudante de História Bruna Geminano, 21, afirma que foi ofendida pelos policiais enquanto distribuía panfletos. "Chegaram dizendo pra eu sair e me chamaram de vagabunda", diz.

A estudante de Direito Marina Mewes Mello, 17, aponta o que vê como contradição na ação policial. "Falaram que nós estávamos perturbando a paz, mas eles [PM] chegaram com as sirenes ligadas no máximo. Foi chocante ver pessoas sendo agredidas e levando choques por nada."

Polícia Militar nega acusações

Conforme o comandante da operação Aifu, não houve excessos por parte dos policiais. “Ao contrário, havia um grupo que estava no local insuflando os estudantes para que se levantassem contra nós. Eles nos xingaram e insultaram gravemente uma policial que estava conosco. Eu poderia mandar prendê-los por desacato à autoridade, mas dei ordens expressas para que nada fosse feito, justamente para evitar o confronto”, afirma o aspirante a oficial, Lucas Eduardo Nicola.

Segundo Nicola, os policiais foram até o local em razão do grande número de reclamações de moradores próximos ao bar, que não conseguiam dormir por conta do barulho. Ele conta que havia cerca de mil estudantes fechando a rua Paranaguá e atrapalhando o trânsito.

“Como era uma grande operação de fiscalização, fizemos uma linha de policiais para retirar os estudantes que estavam na frente do bar. Nesse momento, alguns deles se recusaram a sair, por isso alguns soldados foram mais firmes na ordem verbal”, afirma o comandante da operação.

O policial afirma que não presenciou nenhuma agressão física. “Os policiais têm ordem de utilizar esses meios apenas se houver grande resistência em cumprir as ordens”, explica.

Conforme o aspirante, caso alguma pessoa tenha sofrido algum tipo de agressão injustamente, deve comunicar o 4 º Batalhão de Polícia Militar, para que a situação seja apurada.

Aifu

Conforme o aspirante, foi detido, duranta a operação, um jovem que estaria traficando cocaína em frente ao bar. "Com a chegada dos policiais, ele foi para uma das ruas adjacentes, mas nós o pegamos", conta.

Além dos policiais, participam da operação Aifu agentes da Vigilância Sanitária, Secretaria de Urbanismo,e Corpo de Bombeiros.

No Kanarinhu's foi detectado, apenas, que o sistema de iluminação de emergência estava danificado. O proprietário foi notificado e deve regularizar a situação o quanto antes.

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