Desde que ficou doente e perdeu o movimento das patas traseiras, em julho de 2010, a recuperação do leão Ariel tem comovido milhares de pessoas em todo o Brasil. O felino, que vive no Canil Emanuel, em Maringá, teve o caso acompanhado por um programa de televisão de rede nacional, que bancava todas as despesas veterinárias, fornecendo equipamentos de fisioterapia para a sua recuperação, além de uma piscina para hidroterapia e até uma cadeira de rodas, que nunca foi usada por dificuldades do animal na reabilitação.

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Durante seis meses Ariel foi tratado com fisioterapeuta particular; ele fazia hidroterapia e tinha uma cadeira de rodas, que nunca foi usada

 

Após seis meses de trabalho intenso, com fisioterapeuta particular, no dia 13 de junho a proprietária do animal, Raquel Borges, recebeu um e-mail da produção do programa afirmando que não iria mais patrocinar as despesas. "Eles falaram que o caso do Ariel é irreversível, e que ele não voltará mais a andar, e tinham feito tudo que estava ao alcance deles", diz.

Raquel conta que Ariel não evoluiu após a cirurgia, mesmo com todo o esforço dos profissionais e a fisioterapia intensiva. "Ao contrário, parece que ele piorou, mas ninguém fala com certeza que o caso dele é irreversível", afirma.

Na última semana, Ariel teve dois quadros convulsivos. "Esta é a situação que mais nos preocupa. Mas ele está comendo bem - só ontem à noite foram sete quilos de carne - e continua muito dócil. O Ariel, quando não está fazendo os exercícios do tratamento, fica deitado em um quarto só dele", conta Raquel.

Veterinária de Israel

Recentemente, os proprietários do felino encontraram uma neurologista israelense, especialista em leões, que fez um tratamento em um animal, com problemas semelhantes ao de Ariel, e foi bem sucedida.

"Nós pedimos para a produção do programa nos ajudar a trazê-la, mas eles se negaram, falando que o caso dele é irreversível e encerraram o contrato", conta Raquel.

Comunidade virtual sensibilizada

Para conseguir bancar as despesas, um perfil foi aberto no Facebook, com o nome "Ajuda ao Leão Ariel". Até esta quarta-feira (15), mais de 2.700 pessoas faziam parte da comunidade. Uma conta bancária foi aberta, e os membros fizeram depósitos para ajudar a manter o tratamento do animal.

"Até ontem tinha na conta bancária do Instituto Emanuel cerca de R$ 2 mil, dinheiro, que vamos utilizar para a compra de remédios", conta Raquel.

Conheça a comunidade do Leão Ariel no Facebook.

Através da rede social, Raquel encontrou a modelo Graziela Barrete, que mora nos Estados Unidos e se sensibilizou com a situação de Ariel. "Ela vai bancar a vinda da veterinária de Israel e também de um profissional da Califórnia. Ela pagará as passagens aéreas, alimentação, hotelaria e translado da equipe", comemora.

Segundo Raquel, os profissionais não cobrarão pelo serviço. "Conseguimos também uma ressonância magnética e uma tomografia gratuitamente, tudo com a ajuda de membros da comunidade", ressalta a proprietária.

Novo tratamento em São Paulo

A veterinária israelense Meraz Shamir deve chegar ao Brasil na próxima terça-feira (21) para iniciar o tratamento em Ariel. "Estamos esperançosos, pois ela já fez um tratamento em um leão com com problemas semelhantes e foi bem sucedida".

Ariel será transportado até São Paulo em uma caminhonete F-250, dos proprietários do Canil Emanuel. "Já temos autorização ambiental para fazer a viagem", ressalta.

Conforme Raquel, há possibilidade de se realizar uma nova cirurgia em Ariel. "Mas é necessário fazer os exames antes para saber se será necessário", fala.

Leão Ariel

O felino nasceu em julho de 2008 no Canil e Escola Emanuel, empresa de Maringá especializada no treinamento de cães policiais e hospedagem de animais.

Ariel vive com os pais e 11 tigres. O canil em Maringá recebeu licença ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e teve que cumprir uma série de normas para abrigar esse tipo de animal.

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