Votação ontem foi motivada por pedido feito por professor universitário
Vereador completa hoje oito dias de prisão por ter ameaçado a ex-mulher

Por 9 votos a 4, os vereadores rejeitaram na noite de ontem o pedido de abertura de uma Comissão Processante (CP) para analisar a falta de decoro parlamentar do vereador Luizinho Gari (sem partido), que se encontra preso há oito dias no 4º Batalhão da Polícia Militar de Maringá. Após a leitura do documento protocolado pelo professor universitário e ambientalista Jorge Villalobos, que pedia providências ao Poder Legislativo em relação ao fato de um vereador estar preso por conta da Lei Maria da Penha, a sessão foi suspensa por três minutos.

Após a conversa em reservado, o presidente da Casa, Chico Caiana (PTB), que optou por se abster do voto, colocou o pedido de CP em votação. O placar revelou que Gari se livrou do processo que poderia culminar na cassação de seu mandato. Seis vereadores fizeram questão de justificar o voto. "Votei favorável e votarei favorável a toda e qualquer comissão criada no Legislativo. A comissão é oportunidade para se investigar, ouvir os envolvidos, receber a defesa e se julgar, não é punição", afirmou Ulisses Maia (PDT).

"Não tenho nada com a vida particular do vereador. Mas ele feriu uma lei, a Lei Maria da Penha, criada para proteger as mulheres e não poderia me abster de votar a favor para fazer a apuração", disse Humberto Henrique (PT). "Ontem encontrei uma mulher agredida e a levei para a delegacia e já provei que defendo as mulheres. Agora, o processo (do Gari) corre em segredo de justiça e não tive acesso. Como decidir condenar sem ouvir a outra parte. É questão de justiça. Qualquer um poderia estar na mesma situação dele", disse o tenente Edson Luiz (PMN), que votou contra a abertura do pedido de CP.

"Este poder (Câmara Municipal) abaixa a cabeça para um monte de coisa e, por isso, acaba desrespeitado", afirmou Mário Verri (PT), favorável a CP. "Qualquer comissão processante começa com um fato objetivo. E, neste caso, é um colega há sete dias preso (ontem) por descumprir medidas protetivas. Votei favorável porque precisávamos aprofundar a investigação", disse Flávio Vicente (Rede). "Repudio qualquer violência contra a mulher, mas o acesso aos autos foi negado. Esta discussão não se encerra aqui, mas há o segredo de justiça", argumentou Luciano Brito (PSB), que votou contra.

Se o pedido de CP fosse aceito, seria formada uma comissão e o vereador Luizinho Gari teria dez dias para apresentar defesa. Ontem, os advogados de Gari foram procurados, m as não emitiram nenhuma nota sobre a votação da Câmara Municipal.


DETIDO. Luizinho Gari foi preso por investigadores da Delegacia da Mulher e se encontra no 4º Batalhão de Polícia Militar.


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