Quando a dupla André Henrique & Thiago subir ao palco da Car Wash Chopperia hoje à noite, a partir das 22 horas, pode, sem querer, protagonizar um momento histórico: fazer um dos últimos shows em um dos principais símbolos da boemia maringaense.

A Car Wash e o Nite Club estão em processo de encerramento de operações. O dia do fim, porém, não está muito bem definido. Segundo Bruno Hilgemberg, um dos sócio-proprietários, o plano é encerrar as atividades por 60 dias, a partir de 2 de fevereiro, e aguardar o resultado de uma negociação para que outra empresa adquira o bar e a casa noturna. Em outras mensagens, porém, o empresário havia adiantado que tudo estaria fechado a partir de 16 de janeiro.

Recentemente, os empresários da Car Wash e Nite Club enfrentaram um processo judicial movido pelo proprietário do imóvel, que cobrava quinze meses de aluguel atrasado.

Hilgemberg, por sua vez, exigia um desconto de 40% no valor do imóvel, proposta recusada pelo proprietário. "A nossa família construiu toda a estrutura existente, investimos a nossa vida aqui, desde janeiro de 1986, valorizamos muito o imóvel e não tivemos nenhuma consideração", reclama Hilgember.

Os problemas começaram em 2015. Os efeitos da crise no País, segundo o empresário maringaense, resultaram na queda de 60% no faturamento entre junho daquele ano a dezembro de 2016. Há três anos, bar e casa noturna empregavam 90 funcionários diretos e 40 indiretos. Hoje, são apenas 20 diretos e 7 indiretos.

"O PT destruiu a classe média e mascarou a realidade do País, deixando os empresários caírem no abismo. O País está um caos: são 12 milhões de desempregados e, segundo o Estadão, 1.8 milhões de empresas já fecharam as portas."

A curto prazo, Bruno Hilgemberg pretende investir em outro bar e casa noturna, mas "de porte menor". Seu pai, Júlio, depois de 31 anos tocando adiante a Car Wash, vai finalmente mudar de rumo. "É um ramo muito desgastante. Ele não pensa em investir mais na noite, mas quer continuar promovendo eventos."

Novidades atrapalharam

A produtora de eventos Denizete Ramalho calcula ter organizado cerca de 1.400 festas no Nite Club, de 1999 a 2013. Segundo ela, os bares e os restaurantes que surgiram na cidade, nos últimos anos, contribuíram para que o público do Nite Club minguasse.

"Antes, a cidade não tinha muitas opções. Hoje, você vai num bar do Mercadão, vai num bar legal que está na esquina da sua casa. Há alguns anos, ir ao Nite era uma das únicas alternativas para quisesse curtir a noite", diz.

Outro fator, segundo Denizete, está relacionado ao estilo da música executado no Nite Club. "Lá, era mais house music. O público mais jovem que escuta música eletrônica prefere DJ's do 'underground'. Sem falar no modismo do sertanejo universitário, que os jovens tanto gostam. Essas mudanças culturais influenciaram a queda do movimento no Nite", avalia.


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