Dados do Atlas da Violência, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, mostram que Maringá é uma das cidades com menor número de homicídios e mortes violentas com causa indeterminada e é também a mais pacífica do Paraná, considerando o ano de 2015, quando o levantamento foi finalizado.

O estudo leva em consideração apenas os municípios com mais de 100 mil habitantes. Maringá foi a 30ª cidade mais pacífica, dos 304 pesquisados. As cidades paranaenses de Piraquara e Almirante Tamandaré estão entre as mais violentas do país, ocupando a 297ª e 288ª posição, respectivamente.

Conforme o Atlas, Maringá teve 43 homicídios e duas mortes violentas por causa indeterminada (MVCI) em 2015. Este último indicativo se refere a situações em que o "óbito se deu por causa não natural, ao mesmo tempo em que os profissionais envolvidos no sistema de informações sobre mortalidade (isto é, médicos legistas, gestores da saúde, policiais, incluindo peritos criminais, etc.) não conseguiram informar a motivação primeira que desencadeou todo o processo mórbido", diz o estudo. A cidade mais pacífica do Brasil, Jaraguá do Sul (SC) teve cinco homicídios em 2015 e uma MVCI. Já a cidade de Altamira (PA), teve 114 homicídios e duas MVCI no mesmo período.

Queda

Conforme o Mapa do Crime do jornal O Diário, Maringá tem apresentado redução no número de homicídios, nos últimos anos. Em 2014, foram registrados 54 homicídios e dois latrocínios (roubos seguidos de morte); em 2015, totalizou 43 homicídios e, em 2016, foram 35 homicídios e quatro latrocínios. Por enquanto, Maringá somou 11 homicídios em 2017, com o último registro no dia 3 de junho, com a execução de Helton Charli Marcon da Silva, de 24 anos dentro de casa.

Causas

Conforme os pesquisadores que elaboraram o Atlas da Violência, o número de homicídios está diretamente relacionado com o desempenho econômico da cidade. O primeiro indicativo está relacionado ao mercado de trabalho. "O crescimento econômico faz aumentar a oferta de postos de trabalhos, ao mesmo tempo em que eleva o salário real do trabalhador. Isto faz com que o custo de oportunidade de entrar no mundo da criminalidade urbana aumente, fazendo diminuir os incentivos a favor do crime, o que contribui para a queda das taxas", exemplificam os autores. Eles citam, no entanto, que se as boas oportunidades ficam restritas a um pequeno grupo da sociedade, a violência pode aumentar.

Outro fator que influencia no número de homicídios é a geração de mercados ilícitos. Os autores citam o exemplo de pequenas cidades em que a maior circulação de dinheiro em pequenas cidades tornaram viáveis, economicamente, os mercados locais de drogas ilícitas.

O terceiro canal é a desorganização social, a partir da migração de pessoas em busca de melhores oportunidades, promovendo a ruptura do controle social do crime, "junto com a probabilidade de anonimato e de fuga do criminoso", argumentam os pesquisadores.

Como quarto elemento de influência no número de homicídios está a qualidade da política pública da cidade, "não apenas no campo da segurança, mas também do ordenamento urbano e prevenção social, que envolve educação, assistência social, cultura e saúde", conforme o texto.

Paraná

Se Maringá apresenta um desempenho interessante no quesito redução dos níveis de violência, não se pode dizer o mesmo do Paraná. No número geral de homicídios, o estado é o 10º mais violento (todo o levantamento leva em consideração os 26 estados e o Distrito Federal), com 2.936 homicídios em 2015. Desse total, 1.471 tinham entre 15 e 29 anos.

O Paraná reduziu o número de homicídios de mulheres, mas ainda é o 9º estado em que mais mulheres são mortas, considerando o ano de 2015. Ao todo, foram 244 homicídios com vítimas do sexo feminino.

O número de homicídios nos quais as vítimas eram negras caiu 21,7%, com taxa de homicídio de 24,6% por cem mil habitantes em 2005 para 19,2, em 2015. O ano de 2014 foi o que teve a menor taxa no período de dez anos: com 17,4%.

Em relação à violência policial, o Paraná ocupa a 4ª colocação no número de mortes decorrentes de intervenção policial, com 241 registros, que considera tanto os policiais em serviço, quantos os que estavam à paisana.

A publicação completa pode ser acessada aqui.

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