No dia nacional da poesia e no mês em que se comemora o dia mundial da poesia, o Caderno D de O Diário conseguiu poetizar esta página. Antes, questionou com diversos ativistas culturais da cidade o que pode influenciar a vida de um ser humano. Os depoimentos foram variados: um filme, uma peça teatral, a perda de um ente querido, aprender a ler e escrever e conquistar um diploma universitário, casar, descasar, ter um filho (a), recuperar-se de uma doença terminal e até a influência de uma religião foi lembrado.

Sobre a possibilidade de um poeta ou uma poesia sensibilizar um autor de novelas ou dar vida a um filme, o tema não traz nenhuma novidade. Eis uma sinopse de algumas das 15 novelas que foram baseadas em livros: Escrava Isaura, produzida pela TV Globo entre 1976 e 1977. É uma adaptação do romance A Escrava Isaura de Bernardo Guimarães, feita pelo novelista Gilberto Braga, com direção de Herval Rossano e Milton Gonçalves. Éramos Seis produzida pelo SBT em 1994. É uma adaptação do romance homônimo de Maria José Dupré. Foi escrita por Sílvio de Abreu e Rubens Edwald Filho.

Ciranda de Pedra, Cabocla, Brida, Paixões Proibidas, Sinhá Moça, Tieta, Meu Pé de laranja Lima, Essas Mulheres, Os Miseráveis, Tieta, Gabriela, A Padroeira e O Cravo e a Canela, são outros célebres romances que ganharam vida nas telinhas e nos "telões". Mas como uma poesia do maringaense Jaime Vieira influenciou a trajetória de uma garotinha com pouco mais de 8 aninhos que, ainda em fase de alfabetização teve acesso ao livro "Reencanto" e se se emocionou ao declamar a poesia "Se" em um evento literário em sua escola?

Seu nome: Claudia de Godoy Braz Lucas, casada, hoje com 26 anos, com o título de Mestre em Artes e Literatura e em busca do doutorado. Em entrevista ao Caderno D, ela fez uma sinopse da influência da poesia de Jaime Vieira em sua trajetória no cenário cultural. Lembrou da época que sofria bullyng de seus colegas do ensino fundamental pelo seu estilo próprio de se vestir e de calçar, mas que foi ganhando o respeito pela sua forte sensibilidade nas incursões ao mundo das letras e a da poesia. "Influência de meus país, ele, com experiências concretas em algumas publicações".

Essa sua desenvoltura com apenas 8 anos para a literatura, chamou a atenção de seus professores culminando com o convite para declamar uma poesia. "E agora? Que poesia? Onde encontro uma que eu possa interpretar com emoção", lembrou ela durante a entrevista. "Foi quando uma tia colocou em minhas mãos o livro Reencanto, de Jaime Vieira. Folheei e meus olhos se fixaram na página 81 do livro e deixei me envolver com a essência poética com essa poesia:

Se você viesse e ficasse/ e sem querer olhasse/ nos meus olhos e notasse/ Talvez a tristeza terminasse/ Se dessa saudade eu gostasse/ e pelo menos a conta perdesse/ de cada sol que nasce/ eu talvez não me lembrasse/ Quantos se foram sem que você voltasse/ Se a esperança não palpitasse/ E a dor não maltratasse/ A solidão não gritasse/ E os soluços se sufocassem/ Talvez as lágrimas não rolassem.

Sugerida pelo editor deste Caderno D, a entrevista foi concedida no Espaço Unijore/ RCP (Sigla da Revista Conexão Paraná) a jovem professora veio acompanhada pelo marido, o engenheiro químico Matheus Lucas e pelo próprio ídolo, Jaime Vieira, que não conhecia pessoalmente. Foi interessante a reação de cada um durante o período em que Claudia estava sendo entrevistada. Principalmente quando o editor pediu que a entrevistada interpretasse trechos da poesia "Se"

Como todo o bom poeta, Jaime Vieira se emocionou "Nesta minha trajetória poética já vivi muitas emoções com o reconhecimento de minha poesia com prêmios nos concursos que participei, com meu nome eternizado em espaço cultural de escola e por poetas famosos dentro e fora do Brasil. Mas saber que influenciei a vida de uma garotinha de 8 anos para que ela atingisse a plenitude das Letras e da Poesia, foi dignificante.", comentou emocionado o poeta Jaime Vieira.

Já ao término da entrevista e aproveitando a atmosfera emotiva, o marido de Claudia, Maheus Lucas, que atua na área de engenharia química, também deixou seu testemunho. Era para ser pessoal, sem registro jornalístico, mas o editor não resistiu. Matheus comentou que, embora sendo da área de exatas e até então com pouca familiaridade com a poesia, está em aprendizagem contínua ao lado da esposa e com aplicações conceituais em sua atuação profissional. Se hoje é o Dia Nacional da Poesia, o caderno D não poderia de encontrar uma história tão poética para contar. Concordam?


Clauda Braz ao lado do poeta Jaime Vieira, sendo entrevistada pelo Caderno D de O Diário.. — ARQUIVO UNIJORE


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