Os maringaenses depositaram 6,2% a mais na poupança no ano passado em relação a 2016. Segundo análise do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá (CODEM) - com base em dados divulgados pelo Banco Central (BC) -, de janeiro a dezembro de 2017 foram depositados R$ 23.445.014.226. Em 2016, foram R$ 22.071.990.165.

O aumento foi constatado mesmo com a queda na taxa Selic (taxa básica de juros). No ano passado foram oito cortes consecutivos, começando 2017 em 13,75% e encerrando o ano em 7%.

Os maringaenses acreditam na importância de ter poupança. A mestranda em Engenharia Civil, Carolina Grossi, 26, poupa há cerca de 10 anos. "Minha mãe faleceu quando eu tinha 17 anos e eu recebi a herança. A partir disso, para não ficar com o dinheiro na conta corrente, sem usar, eu comecei a guardar na poupança e virou hábito", conta. Ela também tem aplicação no Tesouro Direto há cerca de um ano.

O Lucas Freire da Silveira Neto, 49, montador de carreta, poupa para casos de necessidade. "Eu tenho poupança há cerca de 20 anos e acho muito importante. Sobra um dinheiro, a gente poupa. Não é só para poupar, a gente tem que guardar um pouco para um momento de necessidade."

Segundo a economista do Codem, Yasmine da Mata Mendonça, um dos motivos para esse crescimento nos depósitos em poupança pode ser o aumento no número de postos de trabalho em Maringá. "Esse aumento nos postos de trabalho significa mais gente trabalhando, o que consequentemente significa mais renda. Ou seja, a população tem mais possibilidade de poupar, e isso pode refletir no aumento de depósitos", explica.

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, após encerrar dois anos com mais demissões do que contratações, Maringá fechou 2017 com saldo positivo de 706 empregos formais.

Outro fator que contribuiu foi a desaceleração do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país. "Em 2016, o IPCA fechou em torno de 6%. Em 2017, em 2,95% - a menor taxa desde 1998. Isso significa que a inflação reduziu, e com isso, o rendimento real aumenta", conta.

O aumento dos depósitos em poupança também representa a busca por estabilidade. "As pessoas escolhem por consumir lá na frente. O aumento de depósito de poupança pode refletir a busca por segurança, porque se está poupando quer dizer que não está gastando", explica Mendonça.

O depósito em poupança é um investimento de baixo risco – isento de imposto de renda e taxa administrativa. É popular e de fácil acesso. "Outras opções de investimento para o investidor que busca baixo risco deixaram de ser tão atrativas o quanto eram há alguns anos devido a queda na taxa de juros Selic.

Existem investimentos que também são isentos de imposto de renda e que rendem mais que a poupança, mas não são muito populares, como a Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA). "Esses não são muito conhecidos, e também não são de fácil acesso. Você não pode retirar o dinheiro na hora que quer. E nós não temos uma cultura de investimento no mercado financeiro. O brasileiro não é ensinado a fazer análise, então a poupança acaba sendo a primeira opção", explica a economista do Codem.


PRECAUÇÃO. Lucas Freire da Silveira Neto poupa dinheiro há cerca de vinte anos para casos de necessidade. — JOÃO PAULO SANTOS


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