No ano passado, quase sete mil dependentes químicos foram atendidos nos ambulatórios de Maringá - incluindo Hospital Municipal, Hospital Psiquiátrico e Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Cerca de 83% são homens, somando quase 5,8 mil usuários de algum tipo de droga. A faixa etária com o maior número de dependentes químicos é de 26 a 40 anos.

Já nas comunidades terapêuticas da cidade, 1308 pessoas foram atendidas em 2017. Esse número se soma aos quase sete mil atendidos em ambulatórios da cidade. São quatro instituições de acolhimento de dependentes químicos que têm convênio com a Prefeitura: Associação Maringá Apoiando a Recuperação de Vidas (Marev), Projeto Vida, Associação Beneficente Casa de Nazaré e Amaras Recanto Mundo Jovem.

Aproximadamente 30% dos usuários de drogas atendidos em Maringá são de cidades da região, como Sarandi e Paiçandu, que não oferecem acolhimento para essas pessoas.

De acordo com Paulo Gustavo Ribas, diretor de Políticas Sobre Drogas da Secretaria de Assistência Social e Cidadania (SASC) de Maringá, as drogas que mais levam as pessoas para o atendimento são o crack e o álcool. "Notamos que os mais jovens são usuários de crack, ou seja, o que leva as pessoas até 30 anos para um atendimento é o crack. E de 40 anos para frente, em sua maioria, é o álcool. Em terceiro lugar está a cocaína, e em quarto a maconha", explica.

Segundo ele, as mulheres usuárias de drogas demoram mais para buscar ajuda. "O número de homens é maior, tanto em atendimentos ambulatoriais, quanto nas instituições. A população de rua de homens também é maior. Mas, nesse caso de dependência química, percebemos que a mulher demora mais para buscar ajuda, porque normalmente ela sente vergonha."

A Diretoria de Políticas Sobre Drogas existe desde 2009 em Maringá, e tem se tornado uma referência de trabalho no Paraná, sendo uma das poucas cidades do Estado que tem o Plano Municipal de Políticas Sobre Drogas. O novo plano será lançado em junho deste ano, e será válido até 2021. Trata-se de uma organização da política para os próximos quatro anos.

Na maioria das cidades do Brasil, a Diretoria de Políticas Sobre Drogas está ligada apenas à segurança pública, ou seja, ações de combate ao tráfico. Em Maringá, o serviço vai além, pensando na prevenção. "A nossa diretoria atua mais na questão de prevenção, tendo uma proximidade maior com a área da saúde. Não só combatendo o trafico que também é importante, mas também levando dignidade e tratamento para o usuário", enfatiza Ribas.

A entidade acompanha o número de atendimentos, tanto nas comunidades terapêuticas, como ambulatoriais, o que proporciona uma dimensão do problema no município, apontando, inclusive, os bairros com maior vulnerabilidade.

Só no ano passado, a Diretoria atendeu cerca de cinco mil crianças e adolescentes nas escolas da cidade em projetos de prevenção. "Temos o projeto Papo Legal, que foi criado pela Prefeitura de Maringá, e ganhou o Prêmio Gestor Público do Paraná em 2016. Nele nós falamos sobre drogas com alunos de uma forma diferente de uma palestra. É um bate-papo mesmo", enfatiza o diretor de Políticas Sobre Drogas.

Neste ano, a Diretoria aumentou de 29 para 41 vagas para internamento pagas pelo município nas quatro instituições de acolhimento de dependentes químicos. Considerada como referência, a Diretoria recebeu, neste ano, a visita de representantes de Cianorte, Curitiba e outras cidades, a fim de trocar experiências e conhecer o trabalho desenvolvido em Maringá.

Na Associação Maringá Apoiando a Recuperação de Vidas (Marev), os pacientes podem ficar até nove meses em tratamento, ou sair antes, caso haja resultados mais rápidos. Segundo a assistente social da instituição, Camila Moreira, o usuário precisa decidir pelo tratamento. "O Marev é uma comunidade terapêutica voluntária, então ele precisa querer estar aqui. É uma chácara, aberta.

A entidade, que tem capacidade para atender até 50 pessoas, tem parceria com a prefeitura e com o Ministério Público. Os pacientes recebem visitas da família uma vez por mês e é feito um trabalho de reinserção do indivíduo na sociedade e no âmbito familiar. O tripé do Marev é oração, trabalho e disciplina.


ACOLHIMENTO. O Marev é uma comunidade terapêutica voluntária que atende dependentes que querem se livrar do vício


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