Os agentes penitenciários se queixam da lotação de detentos nas unidades prisionais de Maringá, pedem mais vagas para abrigar os presos e também solicitam novas contratações para colaborarem com o serviço. De acordo com Vilson Brasil, diretor do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindaspen), duas unidades da cidade têm números acima de sua capacidade. A Penitenciária Estadual pode abrigar 430 e abriga 550. A Casa de Custódia, que tem capacidade para 840 detentos, conta atualmente com 900. "Este problema vem se arrastando desde 2011. O governo do Estado já anunciou cerca de R$ 130 milhões para construir mais 7 mil vagas, e até agora, não investiu. Vem se omitindo", comenta.

Segundo o diretor sindical, a situação em Maringá não é diferente no restante do Paraná, assim como outros locais do país. A lotação dificulta a convivência entre os presidiários e afeta uma série de questões, podendo até motivar motins rebeliões.

Outro fator é o estresse dos servidores. "É o agente penitenciário que vistoria as celas e coordena as tarefas do dia, em uma relação direta com eles. Quanto mais eles tiverem concentrados em locais abaixo da capacidade, mais tenso se torna o trabalho", relata.

Além disso, o Sindaspen pede a contratação de novos funcionários para auxiliarem nos serviços diários e minimizar os impactos com a lotação das unidades. "É comum vermos servidores com afastamento médico ou psicológico por causa do trabalho. O esforço físico e emocional da própria função é sempre muito grande, ainda mais quando o número de detentos para administrar é maior que a própria estrutura", destaca.

Os números do Departamento Penitenciário do Paraná (Depen) são diferentes dos fornecidos pelo Sindicato. Segundo o órgão, a Casa de Custódia tem cerca de 850 presos para uma capacidade de 840 detentos. "Nos próximos dias serão instalados dez celas modulares que vão abrir 120 novas vagas, que serão ocupadas por presos de delegacias da região", expressa. Na Penitenciária Estadual são 430 vagas para abrigar cerca de 440 detentos; e na Colônia Penal Industrial de Maringá, a capacidade é para 330 presos e opera com cerca de 320, no regime semi-aberto.

Sobre as construções de novas unidades e possíveis contratações, a Depen esclarece que o governo contratou 520 agentes por meio de concurso, desde 2013. Além disso, outros 1.201 agentes de cadeia foram chamados por meio de Processo Seletivo Simplificado (PSS). "A Secretaria da Segurança Pública informa que o Estado tem trabalhado para reforçar o quadro de servidores. Foram contratados mais de 11 mil profissionais e adquiridas 3 mil viaturas desde 2011", conclui.


LOTAÇÃO. Sindicato pede novas unidades prisionais e mais contratações de agentes em Maringá e outras cidades do Estado. —JOÃO PAULO SANTOS


Participe e comente