Todos os dias, de segunda a sexta, Júlio Cezar Pereira Conceição Silva deixa sua casa na zona rural, anda cerca de 1 quilômetro e pega a van escolar às 6h50 para chegar até a Escola Municipal Vitor Beloti - na saída para Astorga. Estudante do quarto ano do ensino fundamental, Júlio é um dos 2,3 mil alunos que, diariamente, são transportados pela frota de transporte escolar do município, formada por 34 ônibus (50 lugares cada), 18 vans (16 lugares) e 14 micro-ônibus (40 lugares). A frota roda 69 roteiros todos os dias, sendo 1,810 mil quilômetros para transportar alunos da zona rural e 3,2 mil quilômetros para transportar alunos de entidades.
A mãe de Júlio, Lilian Cristina, diz conhecer o motorista há anos e sabe o cuidado dele com as crianças. “Meu filho gosta bastante das viagens”, diz ela, acrescentando que se não houvesse o transporte não saberia como levar o filho para a escola. “Seria muito difícil”, imagina.
A rota feita por Júlio é a mais longa de todas. Começa na garagem da Secretaria de Educação (nas antigas instalações do IBC) para pegar estudantes na Estrada do Guerra, há 25 quilômetros do local.  O servidor Emiliano Carlos Oliveira Novaes faz esse trajeto há décadas. “As crianças são comportadas e acabam divertindo a gente nesse caminho longo”, comenta.
Motorista há 24 anos, Emiliano acorda por volta das 5 horas, chega na garagem 5h30, pega o primeiro aluno às 6h15 e chega na escola às 7h30. “A gente acostuma com os horários”, afirma ele, dizendo que vale a pena pelo vínculo que tem com os alunos e pais. “Eu levo algumas crianças que são filhas de alunos que eu já havia transportado antigamente”, diz.
Diariamente convivendo com os motoristas, o gerente do Transporte Escolar, Willians Silveira, explica que a frota carrega muitas histórias entre os servidores e as famílias atendidas. “Não trabalhamos com rodízio, então eles convivem com as mesmas crianças e se apegam a elas. Alguns chegam a levar três gerações da mesma família”, observa.
Um dos motoristas que têm várias histórias para contar é Claudenir Clemente Ferrarezi, de 71 anos. Começou a trabalhar com transporte escolar em 1987, hoje o motorista mais antigo da frota. Atualmente, não transporta alunos, e sim professores para a escola de Floriano.
Quando se lembra de toda sua trajetória como motorista se sente feliz, e bate aquela saudade gostosa de trasportar os alunos. “Eles aninavam a gente logo cedo”, se recorda Claudenir, pai de duas filhas e avô de quatro netos - Rebeca (5 anos), Rafaela (4), Caio (7) e Theo (4).
Seo Claudenir encara os colegas de trabalho e as pessoas atendidas pelo transporte como amigos. Por trabalhar há tanto tempo na frota, conhece muita gente. “De férias, a gente fica até preocupado com o pessoal”, diz.
Entidades
O transporte escolar atende alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), Associação Maringaense dos Autistas (Ama) e Associação Norte Paranaense de Reabilitação (Anpr). Os veículos são adaptados, com plataforma elevatória para cadeirantes.
Segurança
Há cada seis meses toda frota é vistoriada por agentes da Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob). São fiscalizados itens de segurança, conforto e higiene. É obrigatório a presença do selo de segurança, normalmente fixado do lado direito no canto inferior do para-brisas. Há cada 10 anos a frota é renovada.

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