Maringá é a segunda cidade do Paraná com maior incidência de queimadas. Neste ano, foram registrados 298 focos de incêndios florestais na cidade. O município está atrás apenas de Paranavaí, que teve 391 registros. Ambas localizadas na região Noroeste do Estado.

De acordo com dados do Corpo de Bombeiros do Paraná, houve um aumento de 44% nos casos de incêndio no Estado neste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. No primeiro semestre de 2018, foram registrados 3.793 casos de queimadas, ante 2.516 que ocorreram no mesmo período de 2017.

Esse aumento de focos de queimadas se deve à falta de chuvas, associada à baixa umidade do ar. "Quando temos baixos índices pluviométricos, a vegetação - que é o material combustível -, fica seca, e o início do incêndio se torna mais fácil. Além disso, se tiver um vento considerável, o fogo se alastra com facilidade. Então, temos condições propícias para a ocorrência de vários focos de incêndios florestais", explica o Tenente Alexandre Ferelli, do Corpo de Bombeiros (CB) de Maringá.

De acordo com o Simepar, não há previsão de chuvas para Maringá nos próximos dias, o que pode agravar ainda mais a situação. Mas, segundo o coordenador da Defesa Civil Municipal, Adilson Costa, a incidência de queimadas pode ser evitada.

"Estamos em dias frios, e mesmo assim temos vários incêndios. Não existe faísca sozinha. As pessoas colocam fogo por querer. Fazem a limpeza na casa e colocam fogo nas folhas - que voam, e o fogo se alastra. Ou, colocam fogo em terrenos para fazer a limpeza e matar insetos peçonhentos, mas as chamas saem do controle e é necessário acionar a Defesa Civil ou o Corpo de Bombeiros. Isso é muito comum em Maringá. E vale ressaltar que as queimadas prejudicam a qualidade do ar e interferem na saúde das pessoas", conta.

Além disso, jogar bitucas de cigarro e lixos em terrenos baldios e regiões com mata também pode gerar incêndios. "O vidro, por exemplo, em contato com o sol forte, pode pegar fogo e gerar uma queimada", explica Costa.

Provocar incêndios sem a devida autorização, seja em florestas ou em centros urbanos, é considerado crime ambiental, e pode gerar multa e detenção de até quatro anos. Mas, segundo o coordenador da Defesa Civil, é muito difícil identificar os autores das queimadas.

"Nós nunca conseguimos pegar alguém colocando fogo em flagrante. Sempre acontece incêndio em fundos de vale, e ninguém vê quem colocou fogo. A pessoa faz, e foge do local. No último domingo, uma pessoa tocou fogo em uma árvore. E na segunda-feira (9), colocou em outra, mas ninguém viu quem foi. Tivemos que cortar as duas, porque corria risco de cair nas pessoas ou em veículos", enfatiza.

Ao presenciar pessoas ateando fogo, a recomendação é ligar para o telefone 193, do Corpo de Bombeiros, e fazer denúncia. Ou para a Defesa Civil, no número (44) 99103-8319. Ambos funcionam 24 horas.

História

A preocupação com incêndios florestais entrou na pauta da política local e nacional em 1963, ano em que o Paraná foi palco do pior incêndio já registrado na história do País. Ao todo, 128 municípios dos Campos Gerais e das regiões Central e Norte foram atingidos, cerca de 10% do território do Paraná foi consumido por chamas e 110 pessoas perderam a vida.

A causa das queimadas, segundo pesquisadores da época, foi a combinação de estiagem prolongada, baixas temperaturas e queimadas agrícolas para limpeza de terrenos.


2018. Maringá registrou 298 focos de incêndios florestais, sendo a segunda cidade do Paraná com maior incidência de queimadas.


Participe e comente