O comandante da Base da Polícia Militar de Sarandi, capitão Alexandro Marcolino Games, salvou uma adolescente de um suicídio, na manhã de ontem (12), quando em uma repentina alteração do trajeto para o trabalho, se deparou com a menor, às vésperas de se jogar do ponto mais alto do viaduto da Avenida Guaiapó, em Maringá. “Em 20 anos de serviço, eu ainda não tinha passado por isso.

E olha que já vi coisa por aí!”, relata.Segundo ele, por volta de 7h35, ao passar pelo local, notou uma mulher gritando com alguém, e ao olhar para o outro lado da via, viu uma pessoa sentada no alto do alambrado. “Acelerei, fiz a volta, desci da viatura, pulei a proteção de concreto e me lancei no alambrado para segurar a pessoa que já estava com o corpo inclinado, iniciando a queda. Rapidamente, puxei-a para baixo!

Para mim foi algo de Deus ter escolhido aquele caminho, hoje [ontem], pois não é o meu trajeto habitual”, declara o comandante.Trata-se de uma adolescente de 14 anos que estava decidida a morrer, reticente em dizer seu nome, onde reside, ou qualquer outra informação ao seu respeito. “Apenas revoltada por eu tê-la impedido do ato.

Aos poucos fomos conversando e ela foi se acalmando”, relata.O Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate) e o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) logo chegaram no local, e a equipe de socorro, juntamente com uma policial da PM ficaram no local para atender a jovem.“Com base na breve conversa que tivemos, entendi que ela compõe a geração que não consegue lidar com frustrações.

Mesmo negando que estava ali por conta de um namorado ou coisa do gênero. Entendi, também, que a estrutura familiar dela não funciona de acordo e, isso pode ter gerado a vontade e decisão do suicídio”, comenta.“Conclui que devemos ficar alertas com nossas crianças e adolescentes, no sentido de ensiná-los ao máximo a lidar com as frustrações que são inerentes à vida.

Nunca teremos tudo o que desejamos, por mais que tenhamos condições para isso. Cabe aos pais detectarem esses problemas e buscarem ajuda especializada para chegarem nas soluções e manterem seus filhos consigo. Ensinar alguém a ser feliz não é tarefa fácil, mas é nossa obrigação tentar”, acrescenta.

O capitão viveu um mix de emoções: chateado por ver alguém tentando acabar com a própria vida e alimentando estatísticas comuns de sucídio, mas agradecido por ter mudado sua rota e estar presente no exato momento em que pode impedi-la. “Não quero me gabar.

A situação é preocupante. Agradeço a Deus por ter me dado essa oportunidade de evitar algo irreversível na vida de alguém, e faço votos que essa adolescente perceba a segunda chance que recebeu hoje, encontrando sua felicidade”, conclui


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