• Crack: prazer imediato e danos para a vida inteira

  • Juliana Daibert

Do céu ao inferno em dez minutos. Durante a viagem, euforia, bem-estar e pensamento acelerado. Ao final do percurso, depressão, psicose, agressividade e perda de noção da realidade.

A dependência química em crack é, atualmente, um dos mais desafiadores problemas de Saúde Pública para gestores e profissionais da área.

Além dos danos físicos e das mudanças comportamentais devastadoras causadas no dependente, o uso da substância caminha cada vez mais ao lado da violência. "Eu não me assusto com mais nada. Crack é só nóia", diz C. J., 24 anos, há três lutando para se livrar do vício.

Cocaína em forma de base livre, o crack surgiu no meio social brasileiro em meados dos anos 80 como uma alternativa mais barata em relação à droga que lhe dá origem.

Semi-sintética, a "droga de pobre", que alçou vôo e hoje adoece todos os estratos sociais, mistura restos do refino da cocaína a outras substâncias químicas, como amônia ou bicarbonato de sódio.

A exemplo de outras drogas inaladas ou aspiradas, o crack chega rapidamente ao cérebro. Bastam poucos segundos para que seus efeitos sejam desencadeados no sistema nervoso central e nos aparelhos cardiovascular e respiratório, principalmente.

A sensação de bem-estar que se segue nos dez minutos seguintes deve-se à liberação de dopamina, substância sintetizada pelas células nervosas que agem em certas regiões do cérebro promovendo, entre outros efeitos, motivação, prazer e bem-estar.

O prazer se esvai rapidamente, como a fina fumaça que deixa os cachimbos feitos de latas de refrigerante ou cerveja, deixando no lugar trapos humanos, desprovidos de juízo crítico e tomados por uma incontrolável vontade de fumar mais.

"Nem todos que experimentam qualquer substância psicoativa ficam dependentes. Mas, a partir do momento em que a dependência se instala, a doença é para a vida toda", diz o psiquiatra Luiz Fernando Purpur Colibava.

Doença

A síndrome de abstinência fecha o diagnóstico de dependência. Aliado à tolerância à substância e a comportamentos de abandono de situações, pessoas e atitudes ? familiares e trabalho, por exemplo -, viver em função da droga divisa a perda de controle sobre a vida.

"Com o tempo de uso, a quantidade necessária para provocar os mesmos efeitos é cada vez maior. A vida do dependente se destina a obter, usar e se recuperar dos efeitos da droga, pois sua falta provoca sensações insuportáveis", diz Colibava.

Nos três últimos anos o médico trabalhou na Emergência Psiquiátrica do Hospital Municipal, experiência que lhe possibilitou caracterizar o paciente usuário de crack atendido no serviço: jovem, do sexo masculino, entre 10 e 30 anos, que não estuda, não trabalha e se sustenta às custas da família, quando essa existe.

Entre as mulheres, a proporção de dependência é menor: a cada dez pacientes, três são do sexo feminino. Mas, no caso delas, o potencial de destruição emocional e social é maior. "Muitas acabam na prostituição", afirma.

O atendimento na Emergência Psiquiátrica também revelou o aumento do consumo entre crianças e apontou a presença da droga em cidades pequenas, já que o Hospital Municipal é referência para os 29 municípios da 15º Regional de Saúde.

Ainda que a possibilidade de infartos agudos, acidentes vasculares cerebrais, taquicardias, dores no peito e convulsões sejam iminentes nos dependentes de crack, o que coloca suas vidas em constante risco, o homicídio é a principal causa de morte entre eles.

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