• Fábrica de ladrilhos faz história desde 1951

  • Fábio Linjardi
Até a década de 80, Maringá era uma cidade de um só tipo de calçada. Os ladrilhos "padrão Maringá" foram escolhidos durante o mandato do primeiro prefeito da cidade, Inocente Villanova Júnior (1953-1956). A partir de então, todas as calçadas de residências, prédios públicos ou estabelecimentos comerciais deveria, por lei, ter o mesmo modelo de piso. O empresário Olmar Antônio Peccin, 72 anos, era menino quando o pai dele, Mário Antônio, participou da reunião que definiu o desenho para os ladrilhos da cidade. Ele conta que hoje, 50 anos após a instituição do primeiro padrão para calçadas, pouca gente se interessa em comprar o modelo retrô. Na década de 80, o tipo único deixou de ser obrigatório. "Hoje, as vendas do ladrilho padrão Maringá são bem poucas", conta. O calçamento é o mesmo que está, até hoje, no contorno do Estádio Regional Willie Davids.

Segundo o empresário, os clientes preferem o ladrilho com  30 centímetros de lado, que custa R$ 15 por metro quadrado. O antigo piso ainda está à venda: tem 20 centímetros de lado e custa R$ 10 por metro quadrado. Apesar de ser mais barato, o modelo é visto como ultrapassado. "A gente percebe que o pessoal prefere os modernos", diz Olmar.

O pai do empresário mudou-se de Santa Catarina para Maringá em 1951 e fundou uma fábrica de ladrilhos nos fundos da indústria de camas de um amigo, na Vila Operária. A produção começou com uma oportunidade rara: o amigo de Mário não cobrava nem aluguel. Os ladrilhos eram artigos de luxo na década de 50, já que as ruas e calçadas da cidade eram de terra e a maioria das casas era protegida com cerca de madeira. Quando Mário comprou o terreno em que a empresa está até hoje, na altura do número 1.511 da Avenida Mauá, era possível enxergar o Parque do Ingá, distante 1,5 quilômetro. Não havia prédios no caminho. O barracão de madeira que funciona como escritório está de pé há 40 anos.

Olmar passou a administrar a empresa do pai em meados de 1970, quando o barracão ainda tinha aspecto de novo. "Ele (Mário) tinha se aposentado e disse que iria fechar a empresa se nenhum filho ajudasse", lembra.

O empresário deixou um emprego que tinha há 13 anos em uma transportadora para assumir o negócio da família. E não se arrependeu. Ele ri quando é questionado se tem saudades de ter patrão.

Mário morreu em 2005, aos 91 anos, no mesmo dia em que completou 71 anos de casado. A esposa, dona Mazilia, morreu um mês depois.

Olmar julga que as calçadas de antigamente, no padrão Maringá, eram mais atraentes que as atuais. "Hoje está muito liberado; cada um faz a calçada do jeito que entende. O ladrilho padronizado ficava mais bonito", acredita.

Com o passar dos anos, a empresa cresceu. Os terrenos vizinhos foram comprados pela fábrica, que hoje está instalada sobre seis lotes. O espaço de aproximadamente 3 mil metros quadrados está pequeno para a indústria, que passou a fabricar postes, palanques e tubos para galerias pluviais. "Quando o meu avô abriu a empresa, só fazia ladrilhos", diz o economista e professor de desenho artístico Sérgio Luiz, 48 anos, que trabalha com o pai, Olmar, desde criança. "A gente já fabricou outros itens, como tanques de lavar roupas, mas passou a focar os negócios nos produtos atuais", diz. "Não temos muitos itens em estoque porque falta espaço", justifica. A família descarta a possibilidade de vender os terrenos para comprar um lote maior em outra região da cidade. A valorização constante da região é o principal motivo. Quando o avô de Sérgio adquiriu os terrenos, a Vila Operária era vista como um bairro distante e barato. Ele foi projetado para abrigar as indústrias e os trabalhadores de baixa renda.

A intenção de Sérgio é passar os negócios do avô para a quarta geração da família. O filho, Fernando, 16 anos, é incentivado a ser o futuro administrador. "Ele está interessado, sempre pergunta como foi o dia da empresa", diz o pai, orgulhoso.


AVALIAÇÃO

"Hoje está muito liberado, cada um faz a calçada do jeito que entende. Padronizado ficava mais bonito."
Olmar Antônio Peccin - Fabricante de ladrilhos


funcionários

6
É o número de empregados da empresa, que fabrica artefatos de concreto desde 1951

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