• Glifosato volta a ser proibido

  • Clóvis Augusto Melo - Correspondente em Curitiba
A suspensão de liminar que permitia a comercialização do glifosato pós-emergente Round Up Ready, da Monsanto, para uso em culturas de soja transgênica é mais uma capítulo da queda-de-braço envolvendo governo estadual, produtores e a multinacional Monsanto. Com a suspensão, está proibida a utilização do herbicida da multinacional nas lavouras de soja transgênica do Paraná. O produto é utilizado para eliminar ervas daninhas, sem  matar as mudas de soja. A aplicação de glifosato em lavouras de soja não-emergentes (antes de germinadas) continua permitida.

O secretário de Estado da Agricultura, Valter Bianchini, lembrou que o Paraná tem o direito de solicitar o cadastro. "Os agricultores devem ter consciência de que há um problema em relação ao uso", alertou Bianchini.

Para que possa comercializar um insumo como o herbicida, as empresas devem proceder ao registro no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente  (Ibama), Ministério da Sáude e Ministério da Agricultura  e depois realizar o cadastro nos Estados, passando pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e secretarias de Estado da Saúde e da Agricultura.

"O objeto da ação era que o Instituto Ambiental do Paraná promovesse o cadastro do Round Up Ready", explicou o advogado da Monsanto, Júlio Brotto. "Em momento algum se buscou passar por cima do direito que o Estado tem de cadastrar o produto", garantiu Brotto. Segundo o advogado, o IAP teria feito exigências que excedem o direito do órgão. "O Paraná é o único Estado que ainda não cadastrou o Roundup Ready e todas as informações solicitadas pelo IAP foram prestadas a três órgãos federais" disse Brotto. Segundo o chefe da Divisão de Fiscalização da Produção e Insumos da Secretaria Estadual da  Agricultura e Abastecimento (Seab), Adriano Riesemberg, há vários motivos para a exigência do cadastro.

"Nós pedimos que o interessado demonstre com um teste feito no Paraná que o produto funciona", explicou Riesemberg. "Dependendo do clima o herbicida pode não funcionar, pode ter a questão do resíduo modificada", enumerou. "Cadastrar não é só bater carimbo ", disse.


Resíduos

Riesemberg lembrou que, em 2005, a Federação da Agricultura do Paraná (FAEP) obteve liminar na justiça que impedia a secretaria de coibir o uso do glifosato no Estado. "Foram utilizados diversos produtos, inclusive aqueles sem registro no País", contou. Para Riesemberg, esse pode ser um dos motivos dos altos índices de resíduo de glifosato encontrados nas amostras da soja transgênica do Paraná, segundo pesquisa do Departamento de Fiscalização e Defesa Agropecuária, divulgada na semana passada. No estudo, 70% das amostras apresentaram resíduos de glifosato sendo que, dessas, 5% estavam quase quatro vezes acima dos limites máximos determinados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo Riesemberg, já estão aparecendo sinais de resistência ao herbicida. "Aí o produtor acaba usando mais e contribuindo para aumentar os resíduos", explicou.

"Essa amostra é insignificante em relação ao universo de plantações", argumentou o assessor especial da diretoria da Faep, Carlos Augusto Albuquerque. "Eles querem pegar meia dúzia de amostras e generalizar para milhares de produtores. Isso é desonesto", reagiu Albuquerque. Segundo o assessor, uma das explicações para os altos índices de resíduo nas amostras da Claspar é a utilização incorreta do glifosato. "Tem gente que não sabe usar o glifosato e acaba utilizando mais do que o necessário", disse.

Riesemberg explicou que foram coletadas 150 amostras aleatórias em todo o Estado. "O que o estudo demonstrou é que apenas na segunda safra legalizada, 5% das amostras apresentaram limites acima do estebelecido e isso é preocupante", salientou, afirmando que não se está querendo generalizar a situação. "Estamos apontando uma tendência. Que a soja transgênica apresenta resíduo de glifosato acima do encontrado na convencional, isso é um fato", afirmou Riesemberg. A reportagem tentou entrar em contato com o setor técnico da Monsanto para comentar a pesquisa, mas não obteve resposta até o fechamento dessa edição.


EXCESSO

"O estudo mostrou que 5% das amostras apresetaram limites acima do estabelecido e isso é preocupante"
Adriano Riesemberg - Chefe de Fiscalização da Seab

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