• Lar Betânia, mais que abrigo: convívio familiar e carinho

  • Elaine Utsunomyia
Crianças correm pelo jardim, por onde ecoam o som das risadas. É mais um fim de tarde e depois dos deveres escolares, elas brincam como qualquer outra criança em casa. Entretanto, não se trata de uma residência comum, mas do Lar Betânia de Maringá, que é a única entidade filantrópica da cidade que serve não só como abrigo, mas uma casa-lar para crianças órfãs ou abandonadas pela família.

É no Betânia que muitas delas conhecem pela primeira vez a força do amor e a convivência familiar. "Nós cuidamos das crianças como se fossem nossos filhos", diz Sueli Vieira, presidente da entidade.

No total, 32 meninos e meninas, entre seis meses e 14 anos, vivem no Betânia onde recebem comida, apoio escolar, assistência médica e psicológica. Elas moram em três casas-lares (outras duas estão em reforma), cada qual sob a responsabilidade de um casal, alguns com filhos biológicos. "A idéia é criá-los dentro de um ambiente familiar, em que haja afeição e atenção", relata o pastor Jacó Vieira, presidente da Igreja Missionária Central, mantenedora do Lar Betânia.

Segundo ele, 12 das crianças atendidas têm mais de 10 anos e a maioria (70%) está em condições de ser adotada por nova família. "Mas, infelizmente, os casais preferem os recém-nascidos ou os mais novos", diz. Algumas dessas crianças viviam em situações precárias, de negligência, de violência e até de abusos. "Por trás de cada uma delas há uma história de sofrimento", completa. 

A garota Daiane, 11, que chegou há cerca de um ano no Lar Betânia, é um desses exemplos. Ela não fala da época em que vivia com a mãe, alcoólatra, e o pai, traficante de drogas, mas dos planos para o futuro. "Quero ser pediatra", afirma com a esperança renovada. Suas irmãs de lar, Helen, 12 e Paula, 10, dizem timidamente que querem ser cantora e médica de grávida. 

Longe dos olhares de pessoas estranhas, elas se mostram mais desinibidas. No balanço, brincam e dão risadas. "Gosto muito do parquinho, gosto de tudo", diz Daiane que freqüenta a escola no período da tarde e ainda faz aulas de inglês no Lar Betânia.

Como em qualquer família, os garotos atendidos precisam seguir regras, como tarefas, cuidar de suas coisas e freqüentar a escola. Aos domingos, participam dos cultos da Igreja. A mãe social recebe R$ 450 por mês para cuidar das crianças e ainda conta com uma auxiliar para os serviços domésticos. O marido não presta serviço remunerado à entidade, mas atua como voluntário entre uma folga e outro do trabalho. O casal não paga aluguel, nem conta de luz e água. Os alimentos e os materiais de limpeza são doados pela entidade.

Fundado em 1964, o Lar Betânia sobrevive de doações da Igreja Missionária Central, que nem sempre são suficientes. Neste caso, lança mão de promoções, como almoços e bazares, para levantar fundos. O município colabora com a cessão de dois funcionários.


Justiça

De acordo com a promotora da Infância e Juventude de Maringá, Mônica Louise de Azevedo, as crianças atendidas pelo Lar são encaminhadas pelo Conselho Tutelar. A maioria das intervenções judiciais são de caráter provisório. "Na maior parte dos casos, os pais são vivos", diz.

Os encaminhamentos de crianças para abrigos provisórios ocorre  quando há a situação de risco, acrescenta a secretária municipal de Assistência Social, Sandra Franchini. "Nos casos, por exemplo, em que os pais são dependentes químicos ou alcoólatras".

O município conta com um abrigo provisório na Vila Operária, mas na avaliação da promotora é necessário uma unidade específica para o atendimento de meninas e um outro, apenas para os meninos. Hoje, o atendimento no abrigo é misto. A demanda por vagas para crianças, em caráter não provisório, é pequena em Maringá.

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