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10/09/2008 às 21:33
O calçamento de oito quarteirões da Avenida Universal, no Jardim Universal, em Sarandi, virou caso de Justiça: a organização ambientalista Brasil Flora e Fauna-Sul solicita ao Ministério Público que tome providências pelo fato de a obra estar sendo realizada sem a implantação da rede de galerias pluviais.
Na justificativa do pedido, o presidente da organização, Carlos Klichowski, alega que o trabalho que está sendo realizado pela Prefeitura poderá ser danificado pelas águas de chuva, que descem pela via com grande força.
Além disso, destaca ele, quando for construída a galeria, o material que está sendo colocado terá que ser retirado, o que significa gasto de dinheiro público.
Klichowski cita que em outros pontos da Avenida Universal, onde há pouco mais de um ano foi realizado o mesmo trabalho, já podem ser observados os danos causados pela falta de galerias para escoamento das águas de chuva.
Para a secretária municipal de Urbanismo, Márcia Kaufman, a Ong Brasil Flora e Fauna comete grave falha em sua missão ambientalista ao apresentar uma reclamação dessas ao Ministério Público.
"O trabalho que estamos realizando é o assentamento de pedras irregulares, que não usa cimento e nem xisto betuminoso, o que deixa o calçamento permeável, permitindo a infiltração das águas de chuva", alega ela, citando que esse é um calçamento ecológico que vem sendo adotado em alguns dos mais desenvolvidos países da Europa e de outras partes do mundo.
Outra vantagem apresentada pela secretária é o custo: enquanto o calçamento com pedras irregulares custa em torno de R$ 14,00, o metro quadrado, o asfaltamento comum custa entre R$ 60,00, e R$ 80,00.
O engenheiro Elton Eidy, que acompanha a obra, explicou que a falta da galeria pluvial não chega a ser um problema, pois a água se infiltra pelos vãos das pedras e "quando a Prefeitura decidir implantar a galeria, é só remover as pedras, colocar a tubulação e recolocar as mesmas pedras".
O Jardim Universal foi criado há trinta anos e os lotes foram vendidos sem qualquer infra-estrutura. O aposentado Sebastião Pereira Farias, morador há vinte anos no bairro, diz que qualquer beneficio será bem-vindo.
"Essa é a avenida principal do bairro, tem muito movimento de veículos e os moradores têm que conviver com poeira dia e noite".
A comerciante Maria Aparecida Ferreira comenta que o estabelecimento dela está sempre sujo por causa da poeira ou barro e que agora isso vai mudar, como mudou para outra parte da Avenida que foi calçada há um ano.
"Se o MP pedir explicações, vamos dar. O que não podemos é deixar de levar esse benefício àquele bairro que passou trinta anos no esquecimento", justifica a secretária Márcia Kaufman.
10/09/2008 às 21:33
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