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09/05/2010 às 07:39 - Atualizado em 09/05/2010 às 07:40
A Maringá que o mecânico Antonio Vizentin conheceu quando criança é muito diferente da que a estudante Rebeca de Souza Ferreira vive.Ele nasceu no dia 10 de maio de 1946, quando o povoado se resumia a 12 casas em torno de uma pensão e uma venda onde hoje conhecemos como Maringá Velho. Ela vive em uma cidade com quase 350 mil moradores, cerca de 200 mil veículos e mais de 30 mil universitários.
Vizentin nasceu de uma família italiana que resolveu enfrentar a mata densa do Norte do Paraná, cuja terra roxa atraía pessoas de todos os cantos do Brasil e de outros países. No dia em que fez seu primeiro aniversário, a família teve motivo em dobro para festejar: naquele dia fora assinado o decreto que transformava Maringá em distrito de Mandaguari.
O pequeno povoado, de uma hora para outra, tornou-se uma das cidades que mais cresciam no Brasil, impulsionado pela cafeicultura. O menino cresceu e tornou-se um dos mecânicos mais respeitados da região, dono da Oficina do Tio.
Aposentado,Vizentin agradece a seus pais por terem escolhido Maringá. ¿Tive a honra de conhecer a cidade em seus primeiros dias e vê-la hoje como uma das melhores e mais bonitas cidades brasileiras¿.
Fome de bola
O gráfico Zózimo Valério Couto, conhecido como Bimba, conta que tem saudade da Maringá dos anos 60. Nascido em 1953, também num 10 de maio, Bimba viveu a época de ouro do futebol maringaense, quando o saudoso Grêmio Esportivo Maringá foi três vezes campeão paranaense, campeão da Taça Roberto Gomes Pedrosa ¿ que equivale à segunda divisão do Campeonato Brasileiro ¿, e os desportistas viam desfilar no Estádio Willie Davids equipes como o Santos de Pelé, o Corinthians de Flávio Minuano, o Botafogo de Mané Garrincha, o Palmeiras de Ademir da Guia e a União Soviética de Lev Ivanovich Yashin, só para lembrar alguns.
¿Os garotos viviam unidos pela bola¿, conta, citando que qualquer terreno baldio virava campinho, onde os meninos jogavam quando não estavam na escola. ¿O fato de o Grêmio ter tido um time que contagiava a cidade, incentivava a garotada nos campinhos das vilas¿. Além disso, tinha um forte campeonato amador. Para Bimba, hoje a cidade é um exemplo de qualidade de vida, mas ficou desfalcada da liberdade que a molecada tinha.
Cruz no nascimento
A agente de vendas Ednéia Gomes Cotrim brinca que a cruz no topo da Catedral de Nossa Senhora da Glória é uma homenagem a ela. Sua família concorda. A cruz foi instalada no topo da basílica no dia 10 de maio de 1972, como parte dos festejos do Jubileu de Prata da cidade, no exato momento em que Néia vinha ao mundo no Hospital São Marcos. ¿Meu pai ficou dividido: não sabia se olhava a colocação da cruz a 120 metros de altura ou se acompanhava meu parto¿.
Néia é de família de pioneiros. Seu avô, João Gomes, chegou a Maringá em 1949, quando ainda não existia asfalto, água encanada, nem luz elétrica. O pai, Rubens, tinha apenas 7 anos. ¿Encontrei uma cidade pronta¿, diz.
¿Na minha infância, nos anos 70 e 80, a cidade já estava estruturada e era considerada uma das melhores, mas me assusto sempre quando vejo o quanto ela cresce a cada ano¿. A Vila Mandacaru, conta, terminava na Avenida Mandacaru ¿e dali em diante era só cafezal, um mar verde que se perdia de vista¿. Hoje, ela mora onde era só café, no Jardim Lucianópolis, um dos muitos bairros de bom padrão nascidos do outro lado da Avenida Mandacaru.
Jardim Licce era mata
A funcionária pública Aparecida de Fátima Batista, que trabalha em uma creche novinha em folha no Jardim Licce, diz que o local em que trabalha era inimaginável nos tempos de sua infância. Nascida em 1960, ela cresceu na zona rural, em sítios distantes da cidade, nas regiões conhecidas como Borba Gato, Baixada do Mamão e Pinguim.
Todos esses lugares hoje estão na área urbana. Onde é o Jardim Licce era uma mata que foi substituída por um cafezal e hoje conta com uma área comercial que parece o centro de muitas cidades.
Ângela Fernanda de Almeida Pinto nem se lembra que não nasceu em Maringá. Ela veio de Cianorte com apenas alguns meses e por isso considera-se ¿maringaense legítima¿ e tem ¿ muito orgulho disso¿. Ela se espanta com o quanto o bairro em que cresceu muda.
¿O Jardim Alvorada é uma verdadeira cidade. É maior do que a maioria das cidades da região, só perde para o Sarandi e para Maringá em número de habitantes¿. Segundo ela, apesar do crescimento, o Alvorada não perdeu a humanidade, ¿continua um bairro gostoso e bom de se viver¿.
Primeira filha
Quem também defende seu bairro é Franciele Sirino, de 26 anos, que se prepara para dar à luz à primeira filha, Eduarda. Recepcionista de uma clínica odontológica próxima ao Country Club, ela lembra que o Residencial Tuiuti, onde cresceu, era o fim da cidade. ¿Dali em diante era zona rural. Hoje, conta com dezenas de bairros¿.
Mírian Cléia Correia Magalhães veio para Maringá por necessidade e um dia achou que poderia encontrar lugar melhor do que esse. Quando a família mudou-se de Santa Cruz do Monte Castelo para Maringá, em busca de tratamento médico para uma filha com leucemia, se apaixonou pela cidade e ficou. Mírian cresceu e com 20 anos foi trabalhar em Campinas (SP), se apaixonou, casou-se, mas logo bateu a saudade.
¿Campinas é uma cidade excelente, mas eu sentia falta da tranquilidade, da organização e das árvores das ruas de Maringá¿, lembra. ¿Meu marido não queria vir para cá por achar que aqui era tudo mato, mas quando viemos visitar minha família, ele se apaixonou por Maringá, resolvemos mudar e nunca mais passou pela nossa cabeça e ideia de ir para qualquer outro lugar¿.
Vantagens e desvantagens
Fazer aniversário junto com a cidade tem suas vantagens e desvantagens, como dizem os próprios aniversariantes desta segunda-feira. O profissional de segurança Douglas Fertonani, que acaba de se formar em Direito, diz que o inconveniente é que ¿todos meus aniversários passo trabalhando na Expoingá¿, que é realizada no aniversário da cidade.
As crianças lamentam aniversariar junto com a cidade porque, devido ao feriado, não recebem homenagens dos colegas de escola, como dizem Gedeão dos Santos Silva Moreira, que faz 11 anos, e o boleiro Guilherme Balielo, que faz 16.
A estudante de Direito Camila Teixeira Moreno, que faz 20 anos, lamenta não poder festejar a data junto com seu tio Fábio Virgínio Vaz Teixeira. ¿Eu nasci no dia em que a família festejava o aniversário dele e o da cidade¿, conta. Nos seus quase 20 anos, Camila já morou em várias localidades do Paraná, pois o pai é gerente de loja e sempre é transferido, ¿mas não há cidade que se compare a essa¿.
Sonho de voltar
A comissária da TAM Rosana Hanke Lachi, que mora em São Paulo, conhece as mais belas cidades do mundo, mas conserva o sonho de um dia voltar para Maringá, que sua família ajudou a construir. Ela é bisneta do pioneiro José Barbosa, que foi proprietário do primeiro hotel de Maringá. Flávia mora em Camboriu, elogia o balneário, mas também não perde a esperança de voltar.
¿É uma cidade que nos dá orgulho¿, conta a universitária Viviane Fávaro Notari, que amanhã festeja 18 anos. Ela, assim como Antonio Carlos Teixeira de Melo, que veio de Campinas há cinco anos, pensa na Maringá do futuro. ¿Minha família chegou aqui em 1952 e fala de um tempo em que as crianças tinham liberdade para brincar nas ruas. É isso que sonho para meus filhos e para as gerações que virão¿, diz Viviane.
09/05/2010 às 07:39 - Atualizado em 09/05/2010 às 07:40
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