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12/02/2011 às 02:00 - Atualizado em 12/02/2011 às 02:00
Divulgação

Mateus (no centro) com a professora Aila e o colega Pedro: escola adaptada às necessidades dele
Os alunos da 6ª série do Colégio Estadual Rodrigues Alves, na Vila Santo Antônio, em Maringá, já se acostumaram com a presença do colega mais especial: Mateus da Costa Silva, 15 anos, portador de paralisia cerebral, que limita sua capacidade motora e de comunicação.
Todos estudam na mesma sala e aprendem as mesmas matérias. A diferença é que Mateus é cadeirante, conta com um computador especial para escrever e a assistência exclusiva da pedagoga Aila Darcin Godoi.
"A disciplina que ele mais gosta é educação física; joga dama e outros jogos de tabuleiro com os colegas", comenta Aila. "Geralmente, ele ganha de mim", diz o colega Pedro Batista, 11 anos.
Para chegar à sala de aula, Mateus percorre uma rampa coberta. Há um banheiro especial adaptado para suas necessidades. Entre os três cadeirantes da escola, uma foi campeã da mais recente edição das Olimpíadas de Matemática.
São poucas as escolas da rede estadual de ensino em Maringá que possuem estrutura adequada para receber alunos com necessidades especiais. Segundo o Núcleo Regional de Educação (NRE), 28% dos 32 estabelecimentos contam com rampas de acesso ou elevadores para portadores de necessidades especiais. O número só foi ampliado recentemente, com a conclusão das reformas no Instituto de Educação Especial de Maringá – o maior colégio da rede no município – e no Colégio Estadual Gastão Vidigal.
São nove escolas com rampa, corrimão ou elevador, além de banheiro especial. A chefia do NRE não comentou o assunto, nem revelou quais os planos para os estabelecimentos ainda não preparados para receber alunos especiais. Servidores do órgão revelaram que existem projetos no sentido e que cada escola informa a existência de alunos especiais e requisita as adaptações.
Na última quinta-feira, o secretário estadual de Educação e vice-governador, Flávio Arns, admitiu que pegou uma "estrutura caída" na rede de ensino e que vai destacar 2 mil engenheiros para levantar a situação estrutural de todas as escolas do Estado.
O presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Ismael Melo, afirma que existe um grande desnível entre a estrutura física das escolas municipais e estaduais de Maringá. "O aluno passa o início do ensino fundamental em escolas adaptadas e, quando passa para a 5ª série, depara-se com escolas sem estrutura", comenta. "É preciso mais investimento do governo para que essa ponte seja construída."
Melo afirma que investimento em reforma não é suficiente para garantir a inclusão de estudantes com deficiência. "Não existe um número suficiente de pedagogos preparados para atender esses alunos; no caso dos surdos-mudos, profissionais que sejam capazes de interpretar libras", explica.
Profissionais como a professora Aila, que topam o desafio de acompanhar o desenvolvimento intelectual de alunos como Mateus. "Exige uma metodologia específica e até mesmo uma avaliação diferenciada", comenta Aila. Apesar de não falar, Mateus responde com um sorriso o quando perguntado se gosta do lugar onde estuda.
"Melhorou para todo mundo desde que o Mateus veio estudar com a gente. Agora todo mundo se comporta melhor, faz menos bagunça", diz o colega Pedro.
Situação das Instituições de ensino

12/02/2011 às 02:00 - Atualizado em 12/02/2011 às 02:00
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