• Pedreiro e jardineiro ganham mais que professor e engenheiro

  • Vinícius Carvalho

 

Douglas Marçal

Responsável pelos jardins de um dos shoppings de Maringá, Paulo Perseguini está há 12 anos no ramo

 

O pedreiro Marcelo Xavier comprou uma caminhonete e já tem casa própria; por dia, dá para tirar R$ 90

Com muita disposição, ferramentas simples e um ajudante, o jardineiro Paulo Lopes Perseguini, 46 anos, terminou na sexta-feira o jardim de uma casa no São Clemente, em Maringá. Para plantar grama em 50 metros quadrados e preparar um arranjo, a remuneração foi de R$ 1,5 mil, em apenas um dia de serviço.

Quando é contratado para fazer serviços em condomínios, o cachê ultrapassa os R$ 8 mil. Com pagamentos de até R$ 500 por dia, a profissão de jardineiro está entre as mais bem remuneradas de Maringá atualmente. "Não tenho do que reclamar. Meu objetivo é deixar o cliente satisfeito", diz Perseguini, no ramo há 12 anos.

O jardineiro aproveitou o período de bonança para ampliar seu patrimônio. Hoje, tem duas casas em Maringá, cinco em Sarandi, duas chácaras na zona rural, três automóveis e uma motocicleta. "A procura aumentou bastante e existe pouca mão de obra disponível", explica. "Nessa situação, o profissional faz o preço".

Profissionais liberais como Perseguini estão surfando na onda de crescimento do mercado imobiliário de Maringá. O Jardim São Clemente, na região sul da cidade, é um imenso canteiro de obras, onde trabalham pedreiros, pintores, azulejistas, eletricistas e jardineiros.

A região não passava de um grande matagal há dois anos. Com o boom econômico, ocupações historicamente marginalizadas estão garantindo mais remuneração que profissões de renome. Em Maringá, jardineiros estão ganhando mais que engenheiros civis registrados com carteira de trabalho.

De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), 60 engenheiros civis foram contratados com carteira em Maringá no ano passado, com salário médio de entrada de R$ 3.358,63 por mês. A ocupação foi a que teve maior média salarial para os contratados formalmente no município de janeiro a dezembro de 2010. Se trabalhar em apenas três jardins de 50 metros quadrados por mês, o jardineiro Perseguini garante R$ 4,5 mil.

Outra região em ritmo acelerado de crescimento é o Jardim Paris, nos arredores do câmpus maringaense da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). É lá que o pedreiro Marcelo Xavier da Silva, 35, casado e pai de três filhos, vai todos os dias ao trabalho a bordo de sua caminhonete S10, adquirida há seis meses.

A média salarial da categoria profissional dele chega a R$ 90 por dia. Para levantar uma casa, os profissionais não cobram menos de R$ 15 mil, por três meses de trabalho. "A remuneração aumentou 70%", diz Xavier. "Não troco essa profissão por nenhuma outra", garante o pedreiro, no ramo há 20 anos. Ele comprou e construiu sua própria casa, no mesmo bairro em que trabalha.

Mais que professor

Com remuneração de R$ 90 por dia, um profissional garante salário mensal de R$ 2.340, caso trabalhe aos sábados. Esse valor é superior ao pago aos professores em Maringá. Ainda de acordo com o Caged, o salário médio de entrada pago aos professores de nível superior na educação infantil foi de R$ 702,70 por mês, para os 70 profissionais contratados em 2010. Os que lecionam para o ensino fundamental tiveram média salarial de R$ 684,60.

O salário do pedreiro que trabalha por conta própria também bate o do professor universitário. Os profissionais que dão aula para o ensino superior, na área de prática de ensino, tiveram média salarial de R$ 1.518,02 por mês no ano passado.

Pedreiro há cinco anos, Marcos Roberto Claro, 29, trabalha com Xavier e já conseguiu comprar um terreno, um automóvel e uma motocicleta. "Já tentei trabalho em outras áreas, mas sempre acabo voltando. Sei que não vou tirar essa remuneração em outro emprego".

Para pedreiros, jardineiros ,azulejistas e outros profissionais, mais importante do que a remuneração é o reconhecimento que essas ocupações passaram a ter. "Antigamente, a gente não tinha valor: ganhava no máximo R$ 15 por dia e não tinha para onde correr", lembra Claro.

"É um ramo difícil, mas somente até a pessoa fazer o nome e ter uma clientela formada. Vou continuar trabalhando em obras e espero adquirir ainda mais coisas para minha família", diz Xavier.

 

Com R$ 2.430 por mês, salário de pedreiro supera o de...

  • Gerente comercial - R$ 1.988,61
  • Enfermeiro - R$ 1.626,10
  • Supervisor de vendas - R$ 1.622,71
  • Farmacêutico - R$ 1.594,31
  • Gerente de supermercado - R$ 1.578,26
  • Gerente financeiro - R$ 1.572,56
  • Contador - R$ 1.559,86
  • Analista de desenvolvimento de sistemas - R$ 1.540,21
  • Professor (ensino superior/prática de ensino) R$ 1.518,02
  • Gerente administrativo - R$ 1.442,81
  • Assistente social - R$ 1.422,50
  • Gerente de produção e operações - R$ 1.389,01
  • Gerente de vendas - R$ 1.382,26
  • Administrador - R$ 1.378,77
  • Analista de negócios - R$ 1.360,07
  • Coordenador pedagógico - R$ 1.359,58
  • Escriturário do banco - R$ 1.324,91
  • Analista de recursos humanos - R$ 1.319,10
  • Advogado - R$ 1.311,12
  • Técnico em segurança do trabalho - R$ 1.282,41
  • Nutricionista - R$ 1.262,02
  • Caldeireiro (chapas de ferro e aço) - R$ 1.210,12
  • Inspetor de qualidade - R$ 1.188,63
  • Modelista de roupas - R$ 1.183,85
  • Comprador - R$ 1.155,84
  • Desenhista industrial - R$ 1.117,16
  • Técnico de telecomunicações -R$ 1.103,59
  • Analista de suporte computacional - R$ 1.085,05
  • Pintor de veículos - R$ 1.032,61
  • Marmorista (construção) -R$ 1.029,44
  • Atendente de agência - R$ 1.013,87O



Fonte: Caged/2010

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