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16/03/2011 às 00:00 - Atualizado em 16/03/2011 às 00:00
As boates BoomBox Club e D-Vinyl Club, de Maringá, ambas voltadas para o público gay, sofreram ataques com spray de pimenta num intervalo de aproximadamente duas horas, na madrugada do último domingo. As duas casas se uniram em investigação interna e já têm dois nomes de suspeitos de terem realizado o ataque.
Segundo a proprietária do D-Vinyl Club, Francielle Rocha, inicialmente houve a suspeita de ataque homofóbico, mas a análise dos dois clubes aponta para nomes de frequentadores que "frequentemente causam problema".
Francielle afirma que as boates preferiram não registrar queixa policial; se as investigações internas confirmarem a ação dos suspeitos, no entanto, a Justiça será acionada. "Não podemos deixar passar em branco", diz.
O ataque à boate BoomBox aconteceu primeiro, por volta das 2h40; às 5h da manhã, o spray de pimenta também foi jogado no D-Vinyl. Nos dois casos, os frequentadores tiveram de deixar as boates. Francielle afirma que muitas pessoas passaram mal e algumas chegaram a desmaiar. "O spray de pimenta é muito forte, foi uma brincadeira de péssimo gosto", afirma.
Para a proprietária, o incidente serviu para a casa tomar precauções quanto à segurança; a partir da próxima semana, uma nova equipe, "maior e mais eficiente", já estará trabalhando na boate e implementando um esquema de revista rigoroso. Francielle afirma que também providenciará sistema de gravação interna, pois apenas a BoomBox conta com o serviço, das duas casas que sofreram os ataques.
"Neste caso, um ataque homofóbico está praticamente descartado, mas não podemos desprezar essa possibilidade para outras ocasiões, até porque já aconteceram casos de agressões, ovos sendo jogados em frequentadores na frente da boate", diz.
Alerta
O editor do site Maringay, Luiz Modesto, afirma que o caso do último fim de semana deve servir como alerta para as boates gay maringaenses intensificarem a segurança. Modesto diz que as agressões a homossexuais existem em qualquer lugar, mas nos últimos anos houve, em Maringá, uma "diminuição da ojeriza" que os homossexuais causavam em determinados setores da sociedade.
"Sempre vai haver o boyzinho que joga ovo, o imbecil que solta spray de pimenta, mas antes isso era ainda mais comum. Vejo um suave, mas crescente, processo de naturalização", diz. Para o editor do Maringay, os homossexuais não são tão unidos como deveriam ser.
"Na verdade, falta uma mobilização maior, mas o pouco que já foi feito deu resultado", afirma.
Modesto classifica como "uma conquista" o fato de a prefeitura e a câmara de vereadores de Maringá terem ganho o Oscar Gay de 2010, prêmio entregue pelo Grupo Gay da Bahia a pessoas e instituições que dão apoio aos direitos humanos dos homossexuais.
O editor do Maringay também destaca o elevado número de boates gay na cidade (seis). "Londrina, que é maior, tem apenas duas. Se formos ver a relação de número de boates por habitante, estamos mais bem representados do que Curitiba", diz.
16/03/2011 às 00:00 - Atualizado em 16/03/2011 às 00:00
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