• Plantas são alternativa de negócio para os pequenos

  • Especial para O Diário Poliana Lisboa
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O conhecimento milenar sobre plantas medicinais e fitoterapia oferece uma alternativa de negócio para pequenos produtores rurais e agricultores familiares. O plantio das espécies com propriedades terapêuticas tem produção semelhante da horticultura, mas com a exigência de mais cuidados.

Em compensação, o agricultor encontra um mercado em ascensão, com pouca concorrência e apoio indireto do Ministério da Saúde, com o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF).

Carqueja, boldo-do-chile, camomila, arnica, erva-cidreira. A sabedoria popular difundida na cultura brasileira tem várias indicações para cada planta. Seja usando folhas, caules, flores ou mesmo a planta inteira, em chás de infusão ou mesmo em compostos para uso externo, a prática terapêutica se propaga em todas as classes sociais.

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O Ministério da Saúde registra que no Brasil, a procura por plantas medicinais e fitoterápicos cresce de 10% a 15% por ano. Apesar do aumento, a participação ainda é muito pequena no mercado de medicamentos, 2% do total.

"Com muita terra disponível para a produção, que é permitida inclusive em áreas de reserva legal, ainda faltam produtores interessados nesse mercado", revela a engenheira agrônoma Mary Cobra Ferro.

Mary está ministrando um curso de 24 horas sobre plantas medicinais que faz parte da programação da 39ª Expoingá. No curso que começou ontem e vai até amanhã, a agrônoma que trabalha há quase uma década com plantas pretende apresentar as espécies que podem ser cultivadas na região e dar uma introdução à manipulação de compostos.

De acordo com a Emater, o Estado é responsável por 90% da produção nacional de plantas medicinais. As culturas geram cerca de R$ 25 milhões anuais. O valor é modesto se comparado à cultura de soja, mas pode aumentar com o conhecimento dos produtores.

"A cultura de plantas medicinais é extremamente lucrativa. Em um hectare, o agricultor pode ter de R$ 1.600 a R$ 9 mil de renda. A maior dificuldade ainda é a resistência de agricultores", explica Mary. Ontem, por exemplo, os participantes do curso não eram produtores rurais.

 

Participação de plantas medicinais e fitoterápicos ainda é pequena no mercado brasileiro de medicamentos. Há espaço para crescer

 

Cuidados

Os farmacêuticos Viviane Fonseca Silva e Ednei Gomes são proprietários de uma farmácia de manipulação. A maior parte da receita, cerca de 70%, é proveniente da venda de fitoterápicos e plantas medicinais em natura. Os fitoterápicos, esclarece Viviane, são medicamentos utilizados desde a antiguidade e inspiram grande parte dos alopáticos, as drogas industrializadas.

Os cuidados são os mesmos de qualquer outro medicamento, com prescrição médica. "As plantas apresentam contraindicação e até mesmo efeitos colaterais. Grávidas e lactantes devem evitar até mesmo os chás. A arruda, por exemplo, é uma planta abortiva se utilizada incorretamente", afirma Gomes.

Algumas plantas medicinais têm o uso liberado para a venda. Na farmácia, a planta é conferida, esterilizada e colocada em saquinhos para a venda. É a forma de manter a qualidade do produto e evitar a propagação de doenças da planta.

Como podem ser encontrado em vários pontos comerciais, Gomes aconselha o consumidor que verifique o rótulo da embalagem de planta medicinal antes de comprar.

"No rótulo o consumidor precisa encontrar o nome da planta, o modo de usar – infusões habitualmente usam três colheres de chá para uma xícara -, partes da planta e contraindicações", diz.

 

Exemplares

 

Você costuma utilizar alguma planta planta medicinal?

"Eu não uso porque

não posso, por um

problema de saúde.

Mas costumo
utilizar muitos
produtos naturais
na minha

alimentação."

Raquel Nadale,
31,
membro de
ordem
religiosa

"Eu uso erva-doce,

camomila e hortelã

para ficar mais

calma e dar para

a criança. Quando

tenho dor no

estômago também

tomo chá de
boldo."

Itainara Ramos,

20, estudante

"Faço alguns chás

para melhorar o

funcionamento do

intestino e ajudar

na digestão. Tomo

chá de 30 ervas e

chá-verde."
Edna Regina da

Silveira, 48,

desempregada

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

"Não tomo ou faço

uso de nenhuma

planta medicinal.

Eu não vejo

necessidade de

utilizá-las para a

saúde."
Marcio Rafael, 26
técnico de

informática

"Eu costumo tomar
chá de erva-doce,

mas não por causa

das propriedades

medicinais. Eu

gosto do sabor

do chá."

Sayuri Fanato,
47,
estoquista

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