• Mulheres usam remédio de diabetes para emagrecer

  • Carla Guedes

Adriana não é diabética, nunca apresentou alterações nos índices glicêmicos, mas há 10 dias entrou na farmácia à procura do remédio Victoza (nome comercial da liraglutida), indicado para o tratamento do diabetes. Sem ter receita, pagou R$ 360 pelo medicamento que também é receitado como emagrecedor, com a promessa de secar de 7 a 12 quilos em até cinco meses.

Em quatro dias, a estudante de 28 anos perdeu 2 quilos mesmo sem regime. "Comi maionese na sexta-feira, churrasco no fim de semana e pizza no domingo", relata. Com 1,61 metro de altura e 77 quilos, a meta de Adriana é enxugar 23 quilos e ver o ponteiro da balança marcar 54.

A estudante conheceu o Victoza ao ler uma reportagem de sete páginas na revista Veja, em setembro, mas só se encorajou a aplicar as injeções depois que viu uma colega emagrecer 7 quilos em 30 dias com a ajuda do remédio.

A reportagem mostrou que o medicamento recém-lançado para o tratamento do diabetes começou a ser usado para a perda de peso com poucos efeitos colaterais. Desde então, o Victoza sumiu das prateleiras. Em três grandes redes de farmácias consultadas ontem por O Diário o remédio estava em falta. Em uma delas, havia lista de espera com 15 dias para entrega das caixas.

Fabricado pelo laboratório dinamarquês Novo Nordisk, o Victoza chegou à Europa e aos Estados Unidos em 2009 e 2010 e há cinco meses foi lançado no Brasil. O fabricante o indica para controle do diabetes tipo 2, mas na prática também é receitado para emagrecer.

Adriana trava guerra contra a balança desde 2003, com o nascimento do único filho. Engordou 23 quilos na gestação, mas emagreceu 24. Quando o filho completou 9 meses, se viu com 10 quilos a mais.

"Acho que tudo vale a pena para emagrecer. O remédio tirou a minha ansiedade e meu estresse. Antes, eu comia mesmo sem ter fome. Agora, parei". Uma caixa do Victoza é suficiente para um mês. A única dose diária é aplicada na barriga antes de café da manhã.


Alerta

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já alertou que a liraglutida não é indicada para perda de peso e que o uso inadequada "caracteriza elevado risco" para a saúde. A substância faz emagrecer porque tem efeito por 24 horas, fazendo com que sensação de saciedade dure mais tempo, o que leva a redução de até 40% no consumo de calorias. Constam da bula uma série de efeitos colaterais: hipoglicemia, dor de cabeça, náusea, diarreia, desidratação, alteração da função renal e nódulos na tereoide.

Juliana não deu ouvidos aos perigos do Victoza e também comprou uma caixa. No balcão da farmácia, não disse ao atendente que usaria o remédio para emagrecer. "Foi muito fácil comprar, não precisei ter receita". Em uma semana de uso, com dieta e academia, a jovem de 25 anos diz que está 2,8 quilos mais magra.

"Eu já fazia dieta, mas nas últimas semanas meu peso estacionou", diz ela, explicando que só decidiu aplicar as injeções para emagrecer mais rápido. A meta é usar a liraglutida por mais dois meses até enxugar 8 quilos.

 

Três perguntas
Ricardo Meirelles>>endocrinologista, membro da da Sociedade Brasileira de Endocrinologia

O Diário - O Victoza pode ou não ser usado para emagrecer?

No momento, não está aprovado o uso deste medicamento com finalidade exclusiva de emagrecimento. Ainda não há resultados de pesquisas que estabeleçam sua utilidade e segurança nessa indicação. Um estudo apresentado no recentemente no Congresso Europeu de Diabetes mostrou perda média de 5,7 kg após um ano de uso do Victoza, associada a dieta e exercícios, em um grupo de 207 obesos, enquanto o grupo de 206 obesos que serviu de controle aumentou 0,2 kg.

O Diário - Por que tem feito sucesso entre quem quer perder peso?

Pessoas com excesso de peso têm grande dificuldade de aderir às mudanças de hábitos de vida necessárias, como alimentação saudável e exercícios físicos regulares, para obter bons resultados. Diante disso, podem ter tendência a tentar tudo que surja acenando com a possibilidade de perda de peso, o que, no caso, levou a uma corrida às farmácias, na maioria das vezes sem qualquer orientação médica. Quando se cria grande expectativa de sucesso com determinado produto, produz-se um efeito psicológico que favorece os bons resultados iniciais. Isto, entretanto, nem sempre se mantém a médio e longo prazo. São necessários mais estudos para autorizar o seu uso como auxiliar no emagrecimento.

O Diário - Faz mal para quem não é diabético ?

Embora nos estudos realizados até hoje não haja evidências de efeitos adversos graves com o uso de Victoza, ainda se desconhecem suas consequências a longo prazo. Por vezes, só depois de vários anos de comercialização, são identificados problemas associados ao uso de determinado medicamento que podem levar até a sua retirada do mercado. A prescrição de qualquer remédio deve sempre levar em conta a relação risco/benefício. No caso do diabetes, esta relação é favorável ao uso, mas na obesidade ainda não temos evidências científicas suficientes.

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