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07/12/2011 às 02:00 - Atualizado em 07/12/2011 às 15:02
Quem precisa de perícia médica do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) de Maringá para receber benefícios como pensão por invalidez temporária chega a esperar até 4 meses para ser atendido. A justificativa, segundo o gerente da agência em Maringá, Valmir de Souza Tomaz, é de que faltam de médicos para o atendimento. Um levantamento extra-oficial feito pela gerência estima em 8 mil o total de pessoas à espera de perícia na região atendida pela agência maringaense.
"Estamos com apenas quatro peritos para atender a uma região de 113 municípios", justificou Tomaz. Segundo ele, os profissionais estão trabalhando além do recomendado, mas mesmo assim não dão conta da demanda. Neste ano, o gerente afirma que a agência já realizou 53 mil perícias até outubro.
Um exemplo da demora no atendimento é o caso de Cristiano de Oliveira Monteiro, de 21 anos, que sofreu um acidente em outubro. Monteiro trabalhava em uma fazenda próxima a Floraí (50 km de Maringá), despejando milho na plataforma de uma colheitadeira quando a calça foi puxada pela corrente. O trabalhador teve as duas pernas amputadas.
Como era ele quem sustentava a casa, a família de Monteiro está passando dificuldades, precisando da pensão do INSS. Mas para receber o beneficio, o instituto exige que ele passe pela perícia, marcada para o dia 5 de março de 2012.
João Paulo Santos
Cristiano de Oliveira Monteiro; perícia, só em março do ano que vem
"Recebi o Dpvat (seguro obrigatório de veículos), que deu uma folga, mas o dinheiro acabou. Estamos, eu, minha mãe e minha irmã, que dependem de mim, sobrevivendo graças à ajuda da população", disse Monteiro.
Apoiada em uma muleta, a vendedora Marli Amaro de Souza também reclama. Ela conta que quebrou o tornozelo num acidente de trânsito e terá que ficar pelo menos 3 meses sem trabalhar. "Vim aqui três vezes pra marcar a perícia. Agora consegui, mas só para março do ano que vem. Quando sair a perícia não vou precisar mais", desabafou.
"Infelizmente essas são situações que não podemos resolver de outra forma. Já foram feitos concursos e contratados novos profissionais, mas outros saíram e a situação continua complicada", reconheceu o gerente da agência em Maringá.
Para tentar amenizar o problema e resolver os casos mais graves, Tomaz anunciou que vai realizar um mutirão no sábado e domingo próximos, com apoio de servidores de outras cidades.
"Vamos fazer esse esforço, principalmente para atender casos graves. Será uma antecipação de agenda", reforçou. A previsão é de que cerca de 500 pessoas passem por perícia durante o fim de semana.
Por problemas no sistema de computadores, o gerente não conseguiu informar quantas pessoas estão na fila, aguardando perícia, na agência de Maringá. Um cálculo por alto indica que oito mil pessoas podem estar à espera de atendimento para ter direito a um beneficio.
Tomaz frisou ainda que, apesar da demora para a realização da perícia, todos os beneficiários são atendidos. "E podem ficar tranquilos porque vão receber todos os direitos, retroativos ao período em que o benefício foi pedido".
SAIBA MAIS
Quando o trabalhador fica doente por mais de 15 dias ou sofre um acidente incapacitante, deixa de receber o salário da empresa onde trabalha e passa a receber uma pensão do INSS. A perícia é uma consulta médica, feita por um perito do instituto, que vai atestar a doença ou a incapacidade. O INSS só começa a pagar depois que o doente é examinado por um de seus médicos. Mas agendar essa consulta está demorando até 4 meses na agência de Maringá. Nesse tempo, o trabalhador fica sem receber o benefício.
O tempo médio de espera para a realização de uma perícia do INSS chega a 36 dias no Distrito Federal, a 80 em Porto Alegre e a 98 em Curitiba. Segundo informações do Ministério da Previdência Social, o problema é que o número de peritos é insuficiente para atender à demanda em um prazo razoável - de duas semanas, no máximo.
07/12/2011 às 02:00 - Atualizado em 07/12/2011 às 15:02
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