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18/01/2012 às 02:00 - Atualizado em 18/01/2012 às 20:31
O índice ultravioleta (IUV) vai atingir níveis extremos nesta semana em Maringá. Quanto mais alto o IUV, maior o risco de danos à pele e de aparecimento de câncer. Até domingo, o grau de radiação solar na cidade deve ser 14, considerado extremo.
Rafael Silva
Homem usa chapéu para se proteger do sol em Maringá; luz do meio-dia deve ser evitada, já que o horário é o de maior concentração de raios ultravioleta. Sombrinhas e roupas com mangas também ajudam
A pesquisadora do Cptec Simone Coelho explica que, durante os meses do verão, o IUV chega a níveis máximos em todos os Estados. "A radiação no Nordeste é tão intensa quanto a da Região Sul." No inverno, os valores ficam menores. "Chegam ao grau 6 ou 7, que também não são tão baixos assim. É uma situação comum, principalmente nos Estados do Sul, quando o dia está muito frio e o céu, sem nebulosidade."
Dermatologista dá dicas para cuidar da pele
Ao medir o IUV, o Cptec leva em consideração três tipos de raios ultravioleta: UVA, UVB e UVC. O do tipo A, ao mesmo tempo em que é perigoso porque causa o câncer de pele, é importante para sintetizar a vitamina D no organismo. O UVB penetra superficialmente na pele e é responsável pelas queimaduras solares. Já o UVC não atinge a superfície terrestre e é usado na esterilização de água e materiais cirúrgicos.
Simone explica que as informações sobre o IUV passaram a ser usadas pelo Ministério da Saúde na criação de campanhas preventivas contra o câncer de pele. A partir dos números obtidos de norte a sul do País, o governo consegue adequar as orientações de prevenção para quem mora tanto no Nordeste quanto no Sul, já que o nível de radiação varia muito de uma região para outra.
Os níveis de radiação já são medidos há mais de 2 décadas, mas só em 2002 foi definido um padrão da divulgação do IUV pelos institutos de meteorologia.
Uma tabela classifica o índice de baixo a extremo, em que baixo é o nível menor que 2; moderado, de 3 a 5; alto, 6 a 7; muito alto, de 8 a 10; e extremo, acima de 11. No Brasil, o máximo grau de radiação já registrado foi de 14 – o mesmo previsto para Maringá esta semana.As cores alertam para o nível de proteção que a população deve ter sob o sol. "O verde é como o sinal de trânsito: significa que a pessoa pode tomar sol. Quanto mais alaranjada a tabela, maior o perigo."
Sem proteção
Dados da Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer de Pele, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, mostram o descaso da população.
Dos entrevistados em Maringá, 64,86% disseram que não usam protetor solar quando se expõem ao sol. Entre os homens, o descaso é ainda maior; 77,14% não se protegem sob o sol. O descuido tem um preço: a campanha detectou que 2,86% dos homens tiveram diagnóstico de câncer de pele, contra 1,33% de casos positivos em mulheres.
Para 2012, devem ser diagnosticados 134.170 novos casos de câncer de pele no Brasil e 7 mil no Paraná.A doença é mais comum em pessoas de pele clara e com mais de 40 anos.É o tipo de câncer mais frequente no País.
COMO VOCÊ SE PROTEGE DO SOL
Fotos/Douglas Marça
Eu uso filtro solar se sei
que vou ficar muito
tempo na rua. Uso há
2 anos, depois que
apareceram manchas.
Aparecida Guedes
comerciante
Não uso nada, nem filtro
e nem boné. Sei o que a
radiação solar pode
causar, mas não me
protejo.
Pedro Gasparetto
Estudante
Sou meio desleixada,
mas procuro usar filtro
solar, boné e óculos para
trabalhar, porque sou
agricultora.
Dirce França
Agricultora
TRÊS PERGUNTAS
Fabíola Tasca >> Dermatologista
Quais os efeitos dos raios ultravioleta na pele?
O raio ultravioleta A chega à pele independentemente de frio, calor, chuva ou céu nublado. Ele causa envelhecimento precoce, manchas e câncer de pele. A radiação do ultravioleta B é mais intensa na época de calor e nos dias ensolarados. O UVB é o responsável pelo avermelhado na pele, surgimento de manchas e câncer de pele. Agora, no verão, estamos recebendo as radiações ultravioleta A e B. Aquele bronzeado bonito, depois de alguns anos, dá lugar a rugas e ao envelhecimento profundo da pele.
O filtro solar é a melhor forma de proteção?
Sim. Nesses dias com incidência extrema de raios UV, temos que nos cuidar e usar filtro solar. O certo é reaplicar o filtro a cada 4 horas. O filtro solar é melhor a barreira contra esse tipo de radiação, mas não é só ele, e sim o conjunto de atitudes. Devemos usar camiseta, chapéu, boné, óculos de sol, não ficar expostos ao sol em horários de pico e ingerir bastante líquido.
Quem deve se proteger mais?
Mulheres com tendência a ter manchas na pele, como sardas e melasmas, crianças e idosos que já tiveram câncer de pele.
O índice deveria ser mais divulgado?
Quando o paciente vai ao dermatologista, sempre orienta-se que ele use filtro solar. Só que as pessoas acabam não colocando isso no dia a dia. Mesmo no inverno, a pessoa tem que usar filtro solar, porque o UVA é constante o ano todo. No inverno, a pessoa tem tendência a manchar a pele assim como no verão. As pessoas têm que adquirir o hábito de usar o filtro solar porque o vestuário mudou e agora usa-se roupas curtas e decotadas. As pessoas têm que colocar na cabeça que tem que usar filtro solar. É igual escovar os dentes.
18/01/2012 às 02:00 - Atualizado em 18/01/2012 às 20:31
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