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29/01/2012 às 02:00 - Atualizado em 30/01/2012 às 10:59
A cidade considerada modelo de segurança e organização também está doente. O crack se faz presente nas ruas de Maringá. Em 24 horas ininterruptas, repórteres e fotógrafos da equipe de O Diário fizeram observações no quadrilátero em torno da Praça Raposo Tavares e constataram: quem vende e quem consome crack não se intimida com sol, chuva, dia ou noite. A presença da PM também parece não fazer diferença.
"Durante o dia eles desaparecem. Há um grupo pequeno que fica ali na praça e só", conta um vendedor ambulante. Depois de percorrer toda a região e observar os locais indicados, a reportagem se concentrou na observação da praça Raposo Tavares e constatou que, à luz do dia, sob sol ou chuva, o consumo e a comercialização de drogas é ininterrupto.
Há um grupo de cerca de dez pessoas, comandado por um casal e abastecido por uma traficante numa cadeira de rodas, que toma conta da praça. O movimento, contínuo se assemelha ao de um cardume. Em torno do casal, os consumidores fumam tranquilamente, sem ser importunados, dançam, correm, importunam os transeuntes e voltam a se reagrupar.
O grupo se senta nos bancos que ficam entre a banca de revistas e o palco no centro da praça. No começo da tarde, quem está comandando é uma mulher negra, magra, de estatura mediana. Ela repassa o que de longe parecem ser pedras de crack. Por diversas vezes, rapazes maltrapilhos vão conversar com ela. 
Depois se sentam na outra ponta da fileira de bancos e, ajudados por outra mulher negra, de baixa estatura, que no dia da observação usava um casaco de cor marrom, começam o ritual de fumar o crack. O movimento é ritmado. Quem está fumando se concentra em manter a brasa acesa; a mulher abre o casaco e faz uma barreira, para impedir que as pessoas no ponto de ônibus vejam o que estão fazendo. Quem já fumou caminha ou dança aleatoriamente, e quem está na fila por uma tragada observa em volta.
Uma viatura da Polícia Militar entra na praça e para a poucos metros do grupo. A mulher que faz a distribuição da droga corre para a escada do palco, esconde alguma coisa e sai caminhando, tranquilamente. Ela só vai retornar ao local no fim da tarde. Um dos PMs faz uma caminhada pela praça. Olha ao redor, observa um dos usuários, que conversa sozinho. O policial entra na viatura e vai embora.
Em poucos minutos, a turma se reagrupa. Agora quem cuida deles é um homem negro, alto, que usa uma camiseta azul escuro. Ao contrário da mulher, ele não se senta. Fica se movimentando. Vai diversas vezes da praça à esquina da Avenida Duque de Caxias. Às vezes traz garrafas pet com água ou alguma substância similar. Deixa as garrafas em pontos aleatórios, para quem quiser beber.
E assim o grupo passa a tarde. O homem pega a droga sob a escada do palco ou numa entrada sob um monumento que fica ao lado do palco. Faz a venda e sai para dar uma volta. Todos se reúnem, fumam e saem dançando ou caminhando, trôpegos, pela praça. As únicas pessoas que permanecem no local é a mulher de casaco marrom, uma moça que aparentemente está grávida e dois rapazes maltrapilhos.
No final da tarde, pouco antes das 18 horas, outra viatura da PM aparece. Os policiais abordam um rapaz. O grupo se dispersa. Depois que a viatura sai e a chuva fica mais intensa, eles se reagrupam sob a marquise do antigo Cine Teatro Plaza. Ali o grupo aumenta. Alguns apenas passam e pegam a droga com o homem de camiseta azul escuro ou com a mulher negra.
Quem passa a caminho do terminal é obrigado a desviar da calçada, ou será abordado. Eles querem dinheiro. Quem não dá é xingado e ameaçado. O ritual da cracolândia segue até que anoiteça, sempre num movimento de cardume.
29/01/2012 às 02:00 - Atualizado em 30/01/2012 às 10:59
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