• Mortes aumentariam sem fiscalização, diz PM

  • Murilo Gatti
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Com a documentação irregular, a motociclista teve o veículo apreendido em uma blitz feita pela Polícia Militar na última sexta-feira de manhã, em Maringá. Ela esbravejou, chorou, ficou irritada e jogou o capacete no lixo antes de ir embora a pé, revoltada. A cena, presenciada pela reportagem de O Diário, que não conseguiu ouvir a opinião da jovem, mostra que apesar de cometerem infrações, muitos reclamam quando se exige o cumprimento da legislação de trânsito.

"Não temos escolha, quanto menor a fiscalização, maior serão os abusos e as imprudências cometidas. Se não houver fiscalização e isso se tornar público, com certeza vão ocorrer mais mortes no trânsito. Temos exemplos práticos disso na nossa cidade", afirma o comandante do Pelotão de Trânsito do 4º Batalhão de Polícia Militar de Maringá, tenente Alexandro Marcolino Gomes.

O exemplo citado pelo comandante é o da Avenida Colombo, eixo urbano da BR-376, que corta a cidade. Em 2009, quando os radares de velocidade do município ainda estavam instalados na via, foram registradas quatro mortes. Em 2010, quando os equipamentos foram totalmente retirados e a inexistência de fiscalização se tornou pública, foram registrados 19 óbitos. No ano passado, com mais ações de controle de velocidade por parte da Polícia Rodoviária Federal, os acidentes com mortes voltaram a diminuir e oito pessoas perderam a vida na avenida.

"É fácil fazer um teste. Você fica num cruzamento onde tem um agente de trânsito ou um policial militar por 1h e depois passa mais 1h num cruzamento sem qualquer fiscal. A diferença no número de infrações cometidas vai ser enorme", considera Gomes.

ESCOLA


"É um bom caminho falar
sobre trânsito na sala de
aula, pois investindo nos
jovens teremos adultos
mais  conscientes"

Valdir Pignata
Secretário dos Transportes
de Maringá

Na avaliação do secretário dos Transportes, Valdir Pignata, os radares e as câmeras que registram o avanço do sinal vermelho servem justamente para isso. "Não tem como ter um agente de trânsito 24h no local. A tecnologia nos ajuda nesse trabalho. O radar não está para fazer multa, mas porque precisamos vigiar os pontos em que os motoristas e motociclistas excedem a velocidade ou tem o costume de avançar o sinal", considera.

Em Maringá, além de 20 radares fixos de velocidade, de três radares móveis e de outros 19 equipamentos de avanço de sinal, a Setran mantém cerca de 20 caixas "Salva Vidas" completamente vazias em avenidas. "É uma medida que ajuda na prevenção de acidentes porque provoca um efeito psicológico no motorista e no motociclista que acaba respeitando a velocidade nesses pontos", diz o secretário.

Dentro deste contexto, Pignata afirma que a Setran vai investir agora na instalação de equipamentos que ele chama de "Anjos". "São aparelhos que vão mostrar a velocidade, mas não vão multar. Acreditamos que se a pessoa perceber que está muito rápida, vai desacelerar. A ideia é que o ‘Anjo’ sirva de alerta e ajude os motoristas a perceber que precisam tomar mais cuidado. Se todos respeitarem a sinalização, a cidade inteira ganha", afirma.


Educação

Pignata avalia que seria importante investir mais na conscientização das crianças e dos adolescentes e lamenta que o projeto de implantação da disciplina trânsito nas escolas não tenha avançado. "É um bom caminho falar sobre trânsito na sala de aula, pois investindo nos jovens teremos adultos mais conscientes.

O problema é que tivemos dificuldades com a grade e não conseguimos avançar."
Para o comandante do Pelotão de Trânsito, a prova de que falta consciência mesmo entre os mais jovens é que durante uma blitz realizada na semana passada em uma área nobre da cidade. Foram encontrados cinco motociclistas não habilitados em apenas 4h.

"Só vai haver mudança de comportamento quando pai e mãe passarem a dar bons exemplos e se houver investimento em educação de trânsito nas escolas, como está previsto no código de trânsito, mas que não é implantado por falta de políticas públicas."

Para o tenente, um grande avanço na legislação é o fim da exigência de avisos da presença de radares nas ruas. "Isso vai colaborar e muito para a mudança de cultura no trânsito. Pode ter certeza", diz. Ele considera que, sem as placas de aviso, as pessoas vão ser obrigadas a manter a velocidade permitida nas vias e não vão respeitar apenas os pontos sinalizados.


MAPA

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