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17/02/2012 às 02:00 - Atualizado em 17/02/2012 às 17:46
Três meses depois de a Câmara Municipal aprovar o aumento dos rendimentos dos vereadores em 90%, os edis maringaenses deram o primeiro passo para atender ao clamor popular e reduzir o valor de R$ 12 mil – que pela lei seria pago para os eleitos para a legislatura de 2013. Em uma reunião a portas fechadas após a sessão ordinária de ontem, foi dado início às discussões que definirão o novo subsídio.
A reunião com todos os 15 vereadores foi convocada pela Comissão de Finanças e Orçamento (CFO), que tem a competência de revogar a lei anterior e apresentar um nova proposta. Presidente da CFO, Dr. Saboia (PMN) disse que, ao voltar atrás na decisão, a Câmara reconhece que errou. "Fizemos algo que é legal [aumento para o teto de 60% do deputado estadual], mas a sociedade considerou o valor de R$ 12 mil imoral", disse Saboia.
A CFO apresentou aos demais vereadores um estudo preliminar. Segundo o membro da comissão, Humberto Henrique (PT), o subsídio ficaria entre a mera reposição da inflação sobre o salário atual – de aproximadamente R$ 6,6 mil – e um máximo de R$ 9 mil. "Mas não vamos definir nenhum valor nessa primeira reunião", garantiu Humberto.
"Vamos antes conversar com a sociedade", disse. A primeira reunião com a sociedade está marcada para 1º de março. Segundo Humberto, os eleitores terão o direito de apresentar propostas para o subsídio. Saboia antecipou que o novo valor deve surgir de um consenso entre o que querem os vereadores e o que pede o povo. "Faremos o que a sociedade espera", disse o presidente da CFO.
Flávio Vicente (PSDB) defendeu que sejam convocadas apenas entidades representativas para a discussão com os vereadores. "A consulta popular tem de ser com entidades que realmente representam as pessoas, e não interesses políticos", comentou, referindo-se a pré-candidatos a vereador que estariam atacando os vereadores nas redes sociais.
Contrariados, alguns vereadores prometeram votar a favor da menor proposta levada à mesa de negociações. John Alves (PMDB), que no ano passado defendia a remuneração de R$ 9 mil, recusava-se a rediscutir uma lei já aprovada e sancionada. "Parlamento não é brincadeira", disse John, que defenderá um subsídio de R$ 3 mil nas reuniões.
Pressão popular
Desde que o subsídio de R$ 12 mil foi aprovado por 12 votos a 3, em novembro do ano passado, os vereadores que votaram a favor do teto de 60% de um deputado estadual viraram alvo de uma incansável campanha na internet. Diariamente, um grupo de manifestantes relembra quais foram os dez que votaram a favor dos chamados "supersalários".
"Para quem é assalariado, 20
salários mínimos é muito
dinheiro. O povo não concorda
com isso"
Luiz do Postinho (PRP)
Vereador
A campanha deu resultados. "Estava numa borracharia quando um dos meus eleitores me disse que não votaria mais em mim se a gente [Câmara] não diminuísse os salários", contou Luiz do Postinho (PRP). "Para quem é assalariado, 20 salários mínimos é muito dinheiro. O povo não concorda com isso", acrescentou.
Nos bastidores, o valor mais próximo do consenso fica na casa dos R$ 8,4 mil. Esse é o subsídio defendido abertamente tanto por Luiz do Postinho quanto pelo líder do prefeito no Legislativo, Heine Macieira (PP). "Não tenho dificuldade em voltar atrás", disse Luiz. Num primeiro momento, os vereadores se recusam a rever os subsídios do prefeito, vice-prefeito e secretários municipais, reajustados em 44%.
17/02/2012 às 02:00 - Atualizado em 17/02/2012 às 17:46
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