• Baixar salários de R$ 12 mil agora é unanimidade na Câmara de Maringá

  • Luiz Fernando Cardoso
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Três meses depois de a Câmara Municipal aprovar o aumento dos rendimentos dos vereadores em 90%, os edis maringaenses deram o primeiro passo para atender ao clamor popular e reduzir o valor de R$ 12 mil – que pela lei seria pago para os eleitos para a legislatura de 2013. Em uma reunião a portas fechadas após a sessão ordinária de ontem, foi dado início às discussões que definirão o novo subsídio.

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A reunião com todos os 15 vereadores foi convocada pela Comissão de Finanças e Orçamento (CFO), que tem a competência de revogar a lei anterior e apresentar um nova proposta. Presidente da CFO, Dr. Saboia (PMN) disse que, ao voltar atrás na decisão, a Câmara reconhece que errou. "Fizemos algo que é legal [aumento para o teto de 60% do deputado estadual], mas a sociedade considerou o valor de R$ 12 mil imoral", disse Saboia.


A CFO apresentou aos demais vereadores um estudo preliminar. Segundo o membro da comissão, Humberto Henrique (PT), o subsídio ficaria entre a mera reposição da inflação sobre o salário atual – de aproximadamente R$ 6,6 mil – e um máximo de R$ 9 mil. "Mas não vamos definir nenhum valor nessa primeira reunião", garantiu Humberto.

"Vamos antes conversar com a sociedade", disse. A primeira reunião com a sociedade está marcada para 1º de março. Segundo Humberto, os eleitores terão o direito de apresentar propostas para o subsídio. Saboia antecipou que o novo valor deve surgir de um consenso entre o que querem os vereadores e o que pede o povo. "Faremos o que a sociedade espera", disse o presidente da CFO.

Flávio Vicente (PSDB) defendeu que sejam convocadas apenas entidades representativas para a discussão com os vereadores. "A consulta popular tem de ser com entidades que realmente representam as pessoas, e não interesses políticos", comentou, referindo-se a pré-candidatos a vereador que estariam atacando os vereadores nas redes sociais.

Contrariados, alguns vereadores prometeram votar a favor da menor proposta levada à mesa de negociações. John Alves (PMDB), que no ano passado defendia a remuneração de R$ 9 mil, recusava-se a rediscutir uma lei já aprovada e sancionada. "Parlamento não é brincadeira", disse John, que defenderá um subsídio de R$ 3 mil nas reuniões.


Pressão popular
Desde que o subsídio de R$ 12 mil foi aprovado por 12 votos a 3, em novembro do ano passado, os vereadores que votaram a favor do teto de 60% de um deputado estadual viraram alvo de uma incansável campanha na internet. Diariamente, um grupo de manifestantes relembra quais foram os dez que votaram a favor dos chamados "supersalários".

REVISÃO


"Para quem é assalariado, 20
salários mínimos é muito
dinheiro. O povo não concorda
com isso"

Luiz do Postinho (PRP)
Vereador

A campanha deu resultados. "Estava numa borracharia quando um dos meus eleitores me disse que não votaria mais em mim se a gente [Câmara] não diminuísse os salários", contou Luiz do Postinho (PRP). "Para quem é assalariado, 20 salários mínimos é muito dinheiro. O povo não concorda com isso", acrescentou.

Nos bastidores, o valor mais próximo do consenso fica na casa dos R$ 8,4 mil. Esse é o subsídio defendido abertamente tanto por Luiz do Postinho quanto pelo líder do prefeito no Legislativo, Heine Macieira (PP). "Não tenho dificuldade em voltar atrás", disse Luiz. Num primeiro momento, os vereadores se recusam a rever os subsídios do prefeito, vice-prefeito e secretários municipais, reajustados em 44%.


HISTÓRICO

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Comentários

3 comentários

  • @WagatumaMario
  • | 17/02/2012 08:13:23
  • Sempre fizeram ou fazem coisas erradas ! Que projeto , elaboraram para trazer benefícios para a comunidades ? Pessoas sem criatividade ! Estudem outros municípios que estão dando certo e copiem pelo menos ! Não é vergonha copiar coisas boas !
  • Edson Leonardo Pilatti
  • | 23/02/2012 09:41:23
  • Caros, Assistimos pelas redes sociais uma mobilização “sui generis” da população que (teoricamente) não está “organizada” como entidade de classe. Porém, atribui-se a essa mobilização a “mudança” de opinião dos nobres “edis”. Ora, então fica a pergunta. Por que o nobre vereador Flávio Vicente, defensor e propositor do reajuste para R$12 mil para os Vereadores, está tentando “limitar” justamente a participação daqueles que mais se mobilizaram e garantiram a “revisão” da opinião dos mesmos? Será que apenas os nobres vereadores tem o direito de opinar sobre qual deve ser o valor? Será que pré-candidatos a vereador não tem direito de dar a sua opinião sobre o assunto? Nós, do Movimetno $uper$aláriosnão! Estamos ficando apreensivos! O Debate público do dia 1º de março terá que levantar qual será a manifestação da população de Maringá! E não será com exclusões de protagonistas do movimento que isso pode ser considerado uma decisão democrática!
  • Edson Leonardo Pilatti
  • | 25/02/2012 00:22:07
  • Sem nenhuma dúvida, o fortalecimento de entidades (formais) considera-se de grande importância. A Sociedade, cada vez mais dinâmica, vive transformações rápidas em diversos aspectos estruturantes. São os processos políticos da evolução democrática. A caracterização de que as “organizações legítimas” são apenas aquelas “juridicamente constituídas” é considerado pela estrutura social contemporânea um limite “conservador” para os "Novos Movimentos". A defesa da legitimidade de movimentos dessa natureza constitui-se com uma exigência politica de um novo período histórico, tempos modernos exigem dos políticos mais diálogo e desprendimento. Ao longo da história, os movimentos não sucumbiram aos limites estabelecidos, são considerados como movimentos culturais e tem se fortalecido, ao longo de um período histórico. A literatura já consolida movimentos como: A geração beat, os hippies, os movimentos feministas, os movimentos artísticos, literários e o movimento de direitos humanos dentre outros, inclusive movimentos como o MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra e recentemente, também, os Movimentos organizados pela Internet como o "Gente Diferenciada em Higienópolis, os Indignados na Europa, os 99% nos EUA, a Primavera Árabe, o Movimento Anonymus (este último com participação de colegas de Maringá), e aqui o Movimento $uper$aláriosnão. Todos são exemplos de uma "dicotomia" de "reconhecimento" entre apenas do que é juridicamente estabelecido e os movimentos reais da sociedade. Entendemos que o estado tem limites quanto a um "reconhecimento", caso a situação fosse de uma participação numa esfera jurídica formal, porém, um “debate público” não tem a rigidez formal de atividade regulamentada por legislação específica. Apelamos aos vereadores não serem inflexíveis e seguir o que a sociedade e a própria mídia local reportam quando das realizações das ações de protesto promovidas. Atividades e protestos responsáveis pela existência do próprio debate do dia 1º de março. Consolida-se, portanto, como natural o convite ao movimento que está qualificado como “não formal” mas esteja na “vida real” tal como o Movimento $uper$aláriosnão, devido a sua consolidação e representatividade enquanto movimento reivindicatório, inclusive com diversas entidades (formais) integrando o próprio movimento. Portanto, espera-se que o Movimento $uper$aláriosnão em Maringá deva estar representado no debate do dia 1ºde março. Iremos debater essa questão na reunião com as entidades no dia 28 de fevereiro - às 19hs - No Plenarinho da Câmara de Vereadores.

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