• Cerca de 100 pessoas protestam contra o deputado Marco Feliciano em Maringá

  • Rubia Pimenta

Cerca de 100 pessoas realizaram um protesto em Maringá, na tarde deste sábado (23), contra o deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal. Os manifestantes se concentraram, por volta das 15h, na Praça Raposo Tavares, e seguiram em caminhada até o Terminal Urbano, Avenida São Paulo e Avenida Brasil.

Eles levavam faixas, cartazes e gritavam palavras de ordem como "Fora Feliciano". O movimento foi organizado por diversas entidades da cidade, como Movimento Negro, Associação Maringaense de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis (AMLGBT), representantes de igrejas cristãs, muçulmanos, estudantes, sindicatos, entre outros.

O movimento de Maringá integra uma série de protestos que ocorreram em todo o Brasil, contra a permanência de Feliciano à frente da Comissão de Direitos Humanos. "Um homem que tem posicionamento público contra negros e gays não sabe o que é Direitos Humanos. Estamos lutando por um estado laico, e representantes com esta mentalidade são um retrocesso", fala uma das organizadoras da manifestação, Margot Jung.

Os manifestantes também lembraram que um projeto contra homofobia nas escolas foi aprovado, na Câmara Municipal de Maringá, em 2010, no entanto, a ideia nunca foi colocada em prática. "Isso mostra que em Maringá também temos autoridades que não são favoráveis às causas dos homossexuais", explica Margot.

Marco Feliciano

Feliciano é alvo de protestos desde que assumiu a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, no início de março. Ele foi denunciado por discriminação ao Supremo Tribunal Federal (STF) por ter divulgado frases consideradas racistas e homofóbicas no Twitter. Em 2011, ele publicou no microblog que "A podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam ao ódio, ao crime, à rejeição".

No mesmo ano, ele publicou no Twitter que os africanos são descendentes de um "ancestral amaldiçoado por Noé" e que sobre a África repousam maldições como o paganismo, misérias, doenças e a fome. "Africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé. Isso é fato. O motivo da maldição é polêmica. Não sejam irresponsáveis twitters rsss". Em seguida publicou: "sobre o continente africano repousa a maldição do paganismo, ocultismo, misérias, doenças oriundas de lá: ebola, Aids. Fome..."

Antes, o pastor evangélico disse que da África vem o "1º ato de homossexualismo da história". "Sendo possivelmente o 1o. Ato de homossexualismo da história. A maldição de Noé sobre canaã toca seus descendentes diretos, os africanos", afirmou também.

A defesa de Feliciano argumentou ao STF que o parlamentar não cometeu discriminação, mas sim fez a interpretação religiosa de um trecho da Bíblia.

fotos:Marcelo Souza

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