Terminou na tarde de terça-feira (10) a ocupação indígena no prédio da antiga rodoviária de Sarandi. O grupo de caingangues que ocupou o local no ano passado chegou a ter mais de 100 pessoas. Ainda em dezembro, a prefeitura solicitou a liberação da área já cedida ao Corpo de Bombeiros para a construção da nova sede da corporação. A mediação foi da Secretaria de Assistência Social e os índios concordaram em sair pacificamente.

Na semana passada, dois ônibus lotados levaram mais de 90 indígenas de volta para a aldeia de Manoel Ribas, uma outra família voltou por conta própria.O artesão caingangue Cícero dos Santos, 30, a esposa Janete, 25, e os dois filhos pequenos do casal foram os últimos a deixar o local. "Nós viemos para vender artesanato na região e esse foi o abrigo que encontramos. Eu queria vender os últimos cestos, mas está difícil e as aulas estão para começar, então, como a prefeitura vai ajudar, estamos indo para casa", afirma.

A secretária de Assistência Social Josemara Belloso Seranini encaminhou a família de volta à aldeia. A ocupação e desocupação do prédio foi tranquila porque os índios estavam de passagem. Ela explica que é natural para a cultura deles utilizar um abrigo desocupado, então os índios se adaptaram e ficaram por ali.

"A negociação foi tranquila, a gente conversou família por família e não tivemos problemas. A maioria aceitou a ajuda para voltar para aldeia", diz.

Destino

O prédio da antiga rodoviária foi cedido para uso do Corpo de Bombeiros pelos próximos 40 anos. A lei municipal que garantiu a concessão destina a área para um novo quartel. O imóvel será construído com recursos do Fundo Municipal de Reequipamento do Corpo de Bombeiros (Funrebom).

De acordo com a chefe da corporação, tenente Camila Rodrigues Denis Mahmoud, para a etapa preliminar, que corresponde a estudos e projetos do futuro quartel, a licitação gira em torno dos R$60 mil.

O valor total da obra depende do projeto, portanto será divulgado apenas quando essa fase for concluída.

A nova estrutura deverá abrigar a administração e o atendimento à comunidade (ambulância, caminhão de combate ao fogo etc), um almoxarifado maior para equipamentos e facilitar a logística dos 25 bombeiros. "O local é excelente para agilizar a resposta ao atendimento porque está em um ponto estratégico. Pelos dois lados do prédio teremos saídas para a Avenida Colombo, Avenida Londrina e Hospital Metropolitano", avalia.


PACIFICAMENTE. Janete dos Santos em ônibus do município: ela, o marido e dois filhos pequenos foram os últimos índios retirados de local público em município vizinho. —FOTO: CAUHÊ SANCHES

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