As alunas da Universidade Estadual do Paraná Unespar, do campus de União da Vitória (Centro-Sul), que são mães e amamentam, não precisam interromper os estudos ou mudar a rotina acadêmica para atender o bebê. No campus foi implantado o Projeto Espaço da Mamãe Universitária (Pemu), adequado para receber crianças de zero a dois anos, filhos das estudantes e também das professoras e funcionárias.

Pioneiro entre as instituições de ensino superior do Paraná, o projeto começou há 15 anos com apenas uma sala improvisada para receber as crianças, à noite. Com o passar dos anos o Mamãe Universitária foi aprimorado e expandiu o atendimento também para o período da tarde. Hoje conta com dois berçários, sala de vídeo e estagiários contratados e voluntários para assistir as 25 crianças inscritas.

A coordenadora do curso de Pedagogia, Rosana Ansai, que também coordena o projeto, explica que o Espaço Mamãe Universitária não tem caráter de escola para as crianças. "É um espaço não escolar de acolhimento, mas, mesmo assim, planejamos atividades para o desenvolvimento educacional das crianças", destaca.

Laboratório

Ela diz que, além disso, como o Mamãe Universitária é um projeto de extensão serve como laboratório, com atividades práticas, para o curso de Pedagogia, por isso segue as recomendações dos referenciais curriculares nacionais para a Educação Infantil.

"Os professores do curso de Pedagogia destinam horas de atividades complementares para o Mamãe Universitária. Assim os acadêmicos de diversas disciplinas colocam em prática o que aprendem na teoria e ajudam atender as crianças sempre com o olhar atento dos professores", disse.

A atividade voluntária é coparticipativa, resultando em relatórios e pesquisas. "O projeto contribuiu para o educar das crianças e para a pesquisa de Pedagogia, pois os universitários observam o desenvolvimento dos pequenos", completou.

Tranquilidade

Kelly Mari Kreve, de 31 anos, é uma das mães que utilizam o espaço e afirma que o principal sentimento que ele desperta é tranquilidade. Ela deixa a filha Maria Cecília, de um ano e um mês, sob os cuidados do Mamãe Universitária desde os dois meses de idade. "Se não fosse o espaço eu teria trancado a faculdade. Minha filha era muito pequena quando tive que retornar da licença maternidade e não havia como deixá-la em casa", contou. "No Mamãe Universitária a tenho sempre perto de mim. Fico muito mais tranquila", afirmou.

Outro ponto que Kelly ressalta é a compreensão dos professores e profissionais da Unespar com as mães e pais que tem seus filhos no Pemu. "Se a Maria precisa de mim as cuidadoras chamam e os professores permitem a ausência da sala de aula. Há muito respeito", declarou.

Voluntariado

Outro benefício observado pela coordenadora Rosana é o despertar da solidariedade na Universidade. Como o projeto não tem mantenedora, funciona com doações da comunidade e, principalmente, com o tempo de voluntários. "O Mamãe Universitária só existe pela participação solidária", afirmou.

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