Todos os sonhos do mundo cabem no 1,33 m de Maria Clara de Sousa Ramos. Na ponta dos pés, a bailarina sarandiense de apenas 10 anos já sonha alto e começa a alcançar os objetivos de uma vida que, se depender dela, será envolvida por pliés, jeté e outros movimentos da dança. Decidida e exigente, a pequena diz sonhar em viajar o mundo e abrir o próprio negócio – na área do balé, é claro.

A primeira parada dela, para fora do Brasil, pode ser nos Estados Unidos, mas, para isso, precisa arrecadar entre R$ 10 mil e R$ 15 mil até julho do ano que vem, quando começa o curso de férias da escola de dança do Miami City Ballet. Maria Clara participou de uma seletiva em São Paulo com estudantes de todo o País e foi a única do Paraná a ganhar a bolsa para o curso de duas semanas.

Apesar do feito, ela ainda acha que poderia ter ido melhor. "Eu não sabia que poderia passar, mas eu sabia que meu potencial era grande. Mesmo assim, eu fui um pouco ruim, porque não usei todo o meu potencial. Acho que eu podia mostrar mais do que eu posso fazer, porque eu fiquei um pouco 'relaxada' lá. Minha professora sempre fala: 'você tem potencial, você deve dar o seu melhor', e às vezes eu acabo não escutando e fazendo um pouco errado as coisas", diz.

Cintya Corci é a professora a quem a pequena Maria se refere e com a qual faz aulas de balé duas vezes por semana desde os 3 anos de idade, quando ganhou a bolsa para estudar no Centro Artístico Primeiros Passos. Para ela, a cobrança sobre o bom desempenho também vem da própria menina. "Ela é muito esforçada, é aquela aluna proativa, não fica parada. Chega na escola e fala 'olha o que consegui fazer'. Ela vê passos novos em vídeos, às vezes até mais avançados, e não sossega enquanto não consegue fazer".

A mãe de Maria Clara, Marlei Pereira de Sousa Ramos, conta que a filha também não para de pensar em balé quando está em casa e que não é incomum ter que parar o que está fazendo para ver Maria fazer um novo passo. "Eu assisto bastante vídeos na internet, aí vejo as bailarinas e me inspiro nelas. Eu consigo fazer os passos, mas, às vezes, eu tenho dificuldade e peço para minha mãe me ajudar", justifica a menina.

Mesmo com a paixão e dedicação da filha, Marlei imaginou que a chance de a filha dela ser uma das selecionadas parecia difícil. "Pensei: será? Lá vão ter meninas do Brasil inteiro, em São Paulo elas estudam mais horas por dia. Quando a professora falou, pensei em deixar ela ir mais pela experiência, para ver também como ela está, conhecer o lugar, mas fiquei muito feliz que ela foi selecionada".

Alegria também é o sentimento que toma conta de Maria Clara, desde que recebeu a notícia. "Estou muito ansiosa para ir para Miami, porque vai ser uma viagem longa e eu nunca andei de avião na vida. É uma grande expectativa. Eu também gosto, porque, lá, eu não vou ficar nas coisas que faço aqui e eu vou aprender coisas novas, porque, se a gente ficar fazendo só os passos daqui, não vai ter graça, a gente não vai poder se esforçar, então vai ser bem divertido".

Bolo e dança no semáforo

Para desembarcar em solo norte-americano, Maria ainda precisa vencer outros obstáculos. "O curso de férias ela ganhou, mas aí precisa pagar a estadia, o translado, a passagem aérea, alimentação. Para isso, iniciamos uma campanha de doação e ela também dança no semáforo em alguns fins de semana. Lá nós explicamos a história dela e vemos quem pode ajudar", diz a professora Cintya Corci. A mãe dela também planeja começar a vender bolos no pote e utilizar todo o lucro para realizar o sonho da filha.

Outro problema é a diferença na língua. "A Maria nunca teve contato com o inglês, agora a gente está correndo atrás das escolas, pra ver se consegue uma bolsa, já que o curso [de balé] é todo em inglês. Para ela é importante começar o quanto antes".

Ciente das dificuldades, mas com a determinação característica dela, a pequena não pensa em desistir e faz um apelo: "eu queria falar para o pessoal que, quem ajudar com um pouco de dinheiro, mas tendo a condição de me ajudar, seria um sonho realizado, porque eu nunca viajei para fora do Brasil com uma competição, com um curso, então vai ser uma grande experiência para mim".

SAIBA +
Quem desejar contribuir
com a pequena bailarina pode doar por meio da conta poupança criada
pela mãe dela:
Beneficiário:
Marlei Pereira de Sousa
Banco: Caixa
Econômica Federal
Agência: 2919
Operação: 013
Conta: 11384-4

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