• Fantasma da epidemia de dengue atormenta o Estado

  • Luiz de Carvalho
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A confirmação de cerca de 600 casos de dengue nas primeiras cinco semanas do ano e a investigação de quatro mortes com suspeita da doença no Paraná aumentam a preocupação das autoridades paranaenses com a possibilidade de uma nova epidemia, repetindo o ano passado, quando foram feitas mais de 66 mil notificações, confirmados 33 mil casos e 15 pessoas morreram.

Até o momento, de acordo com o boletim divulgado ontem pela manhã, Londrina (a 102 quilômetros de Maringá) lidera a lista dos municípios mais afetados com 1.776 notificações e 276 casos confirmados.

O temor de uma nova epidemia levou o governador Beto Richa (PSDB) a criar uma "sala de situação" na Secretaria Estadual da Saúde, onde os técnicos do órgão governamental e dos municípios trocarão dados constantemente, visando a intervenções do Estado.

Em outra frente, a Universidade Federal do Paraná se uniu ao Instituto de Tecnologia e Informações Ambientais (Simepar) para criar um serviço para informar quando se formam condições climáticas favoráveis à proliferação do mosquito transmissor da dengue. Além disso, as regionais de Saúde cobram das prefeituras ações mais efetivas no combate ao Aedes aegypti.

De acordo com o secretário de Saúde do Paraná, Michele Caputo Neto, "o que temos sentido é que faltou planejamento e gestão em todas as áreas no ano passado e, em 2011, as condições climáticas no Brasil têm favorecido a ocorrência de mais uma epidemia se não houver uma ação rápida e eficaz", avalia.

Ele destaca que o Ministério da Saúde classificou o Paraná entre os Estados com "risco alto" de enfrentar uma epidemia e, hoje, 56 municípios paranaenses estão em situação de alerta, sendo que Maringá e Sarandi estão entre os cinco que mais preocupam, ao lado de Foz do Iguaçu, Londrina e Jacarezinho.

De acordo com o superintendente de Endemias da 15ª Regional de Saúde, Raimundo de Carvalho Franco Reis Filho, a região de Maringá é séria candidata a sofrer uma epidemia, a exemplo do que ocorre na região polarizada por Londrina.

"Este cenário exige que os municípios executem ações eficazes para evitar ambientes para a proliferação do mosquito Aedes aegypti". Na opinião dele, as altas temperaturas e o excesso de chuvas neste verão oferecem condições propícias para a procriação do mosquito, mas isso só ocorrerá se o inseto encontrar onde depositar os ovos.

Reis Filho aconselha os prefeitos a contratarem, em regime temporário, pessoas para auxiliar os agentes da dengue na visitação a domicílios e terrenos baldios. Sarandi, por exemplo, já confirmou que terá 26 emergenciais para ajudar os 14 agentes contratados.

O aumento nos casos de um ano para o outro chama a atenção, segundo o superintendente de Endemias. A partir de 2007, a cada ano dobra o número de casos confirmados. Ele afirma que nos trinta municípios da região de Maringá o número de notificações nas cinco primeiras semanas deste ano é inferior ao do ano passado no mesmo período, porém, verifica-se o inverso em outras regiões, além do fato de o clima propiciar condições para um aumento também na região de Maringá.

A essa altura do ano, em 2010, tinham sido 475 notificações e 109 confirmações, neste ano, são 176 notificações e três casos confirmados. "Temos ido aos municípios conversar com os prefeitos e os secretários sobre a importância das ações de prevenção, como mutirões, limpeza de terrenos, trabalho de mobilização com a comunidade", destaca.

 

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