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16/02/2011 às 02:00 - Atualizado em 16/02/2011 às 14:32
Rumores de que o oxi - subproduto da coca - teria chegado à região de Maringá deixam em alerta as autoridades do setor de segurança pública e de atendimento aos usuários de drogas. A reportagem encontrou três mães, residentes em Sarandi, que estão desesperadas porque os filhos estão envolvidos com drogas, entre elas o oxi.
Nenhuma, porém, concordou em conceder entrevista. Elas temem criar problemas com os filhos e com a Justiça, mesmo na condição de não serem identificadas.
Conhecido com a "droga da morte", o oxi é um crack piorado, que vicia instantaneamente. Mas, diferente do crack, que usa bicarbonato de sódio no processamento, o oxi contém querosene e cal e provoca efeitos mais devastadores para o organismo.
O nome de bastimo da droga deriva da palavra "oxidação". A droga surgiu no Acre, no início do século, e avança pelo Norte e Nordeste ameaçando os demais Estados brasileiros. O uso da droga já foi confirmado no Amazonas, Rondônia, Pará, Amapá, Piauí, Maranhão e em Goiás.
Ingredientes
"O cal e o querosene usados no
processamento do oxi são mais
agressivos que o bicarbonato de
sódio usado no crack."
Darley de Oliveira Machado
Psiquiatra
Semelhante ao crack, a pedra de oxi tem um tom mais amarelado, mas depende da quantidade de querosene e cal adicionados. "Já ouvimos falar, mas ainda não fizemos apreensão da droga ou prisão de traficantes", informa o superintendente da Delegacia de Polícia de Sarandi, investigador Carlos de Oliveira.
Ele explica que dificilmente o oxi estaria sendo vendido como se fosse crack. "Os usuários perceberiam, não acredito que estejam sendo enganados pelos fornecedores", declara. Oliveira relata que os traficantes misturam diversos produtos para aumentar a droga e lucrar mais com a venda. "Muitos põem até sal amoníaco na cocaína", acrescenta.
Destinado às classes sociais menos abastadas, o alvo do oxi é o jovem. O Conselho Tutelar de Sarandi afirma não ter relatos sobre a droga. "Pode estar havendo o uso, mas não chegou até nós", diz o conselheiro William Senhorine Zanin.
Usuários
O Centro de Atenção Psicossocial, Álcool e Drogas (Caps AD) de Maringá, também está atento e, por enquanto, não atendeu caso algum de usuário, mas acredita que o narcótico já tenha chegado à região.
"Creio que a droga ainda não provocou tantos prejuízos, para que possa ser identificada e mapeada", diz a psiquiatra Darley de Oliveira Machado.
Tanto o crack quanto o oxi têm a cocaína como princípio ativo, mas os ingredientes utilizados no processamento é que definem o nome de batismo da droga. "O cal e o querosene utilizados no processamento do oxi são mais agressivos que o bicarbonato de sódio utilizado no crack", aponta a médica.
A droga, ao ser utilizada, atinge o cérebro em poucos segundos e inicia a ação devastadora no organismo. "Um solvente de cola destrói o cérebro tanto quanto o crack. Hoje, não existe mais substância (droga) pura. O fornecedor mistura cal, farelo de vidro, pó de giz, gasolina, entre outras substâncias. Às vezes, a pessoa nem sabe que a cocaína tem pó de vidro, por exemplo", alerta.
"As drogas, já fazem mal. As consequências serão cada vez mais drásticas em função do que é adicionado", ressalta. A médica diz que a recuperação depende da vontade do paciente e do apoio incondicional da família. "Toda pessoa pode se livrar do vício, mas depende da determinação de cada um", ressalta.
16/02/2011 às 02:00 - Atualizado em 16/02/2011 às 14:32
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