Publicidade
23º
17º
sex - 25/05
23º
15º
sáb - 26/05
24º
12º
18/02/2011 às 02:00 - Atualizado em 18/02/2011 às 17:33
Ricardo Lopes

Mudança da regra vai mexer com o mercado imobiliário e pode provocar demissões em série em Sarandi
A Instrução Normativa que levou a Caixa Econômica Federal a vetar as solicitações de financiamentos, dentro do Programa "Minha Casa, Minha Vida", para a compra de imóveis construídos em ruas sem infraestrutura básica, pode paralisar a construção de cerca de 500 casas em Sarandi e provocar a demissão de centenas de operários.
"Desesperados", como eles afirmam, os construtores solicitaram uma reunião com a Superintendência da Caixa ainda hoje e pedem o apoio de deputados e senadores.
Das quase 800 casas em construção pelo programa em Sarandi, cerca de 500 estão em bairros que não têm asfalto, galerias de águas pluviais e rede de esgoto sanitário.
De acordo com a Caixa, a decisão de não financiar imóveis residenciais nessas condições foi tomada para que seja dado tratamento igualitário entre as exigências apresentadas para os casos em que a instituição financia a execução do empreendimento e os financiamentos da comercialização das unidades.
"Eu estava com todos os documentos prontos, avisei o proprietário da casa em que moro que ia entregar o imóvel. Meus filhos sonharam em viver em uma casa só deles, agora vem essa ducha fria", afirma a escriturária Deolina Menezes, que já havia definido a casa em que ia morar com a família, no Jardim Verão. A casa está pronta, pintada, vistoriada pelos fiscais da Caixa, mas Deolina já sabe que não conseguirá o financiamento.
Problema social
Na opinião do construtor Raphael França Silva, sócio da FB Incorporadora, a medida da Caixa "vai provocar uma crise social sem precedentes". Segundo ele, se a instituição não reconsiderar a decisão, todas as obras serão paralisadas, centenas de pedreiros, carpinteiros, encanadores e outros profissionais serão demitidos, as empresas que vendem telhas, tijolos, cimento, canos e outros materiais sofrerão profundo impacto e também demitirão.
"O programa do governo provocou um aquecimento na construção civil, gerou muitos empregos, movimentou a economia, agora pode ocorer o contrário", ressaltou.
"Mudar as regras com o jogo em andamento pode levar as pessoas ao desespero", comentou o comerciante Robson Messias, que entrou no ramo da construção civil há pouco tempo. Ele terminou a construção de duas casas e no dia de assinar o contrato com a Caixa foi informado da nova resolução.
"Não consegui dormir", revelou. Ao não ter as casas financiadas, ele pode perder cerca de R$ 200 mil nas duas casas. Ele tem ainda outras quatro em andamento.
"Essa região da cidade era desvalorizada, terrenos custavam R$ 10 mil ou no máximo R$ 15 mil, mas com a procura de áreas para construir casas hoje um terreno chega a custar R$ 40 mil, houve uma valorização imobiliária", comentou o construtor André Buzzo. A empresa dele está com quarenta casas prontas para ser entregues e outras 16 em andamento.
"Se não houver uma decisão diferente, vamos parar tudo e, como será difícil vender as casas sem financiamento, há o risco de as casas serem invadidas", previu.
Até ontem a Caixa não dava esperança aos construtores e os representantes da instituição em Maringá respondiam que qualquer mudança, se houver, deverá vir da direção geral. Também até o fim da tarde de ontem ainda não havia sido confirmada a reunião com construtores ou mutuários.
A Prefeitura de Sarandi isenta-se de qualquer responsabilidade por prejuízos que os construtores venham ter. O secretário de Urbanismo, engenheiro Elton Toy, disse ontem que a prefeitura está autorizada a liberar Habite-se e alvarás para a execução de projetos de construção e isso pode ser feito em qualquer situação.
"Qualquer pessoa pode construir em Sarandi, com recursos próprios ou financiados", reforçou Toy, lembrando que a Caixa mantém a exigência somente para o Programa "Minha Casa, Minha Vida".
Avaliação
R$ 85 mil é o valor médio de cada imóvel do Minha Casa, Minha Vida em bairros de Sarandi sem asfalto
R$ 360 é a estimativa da parcela do financiamento de casas em áreas sem infraestrutura
R$ 130 mil é o quanto custam as casas construídas onde que tem
asfalto, galerias e esgoto
18/02/2011 às 02:00 - Atualizado em 18/02/2011 às 17:33
Aviso importante: A reprodução total ou parcial de qualquer conteúdo (textos, imagens, infográficos, arquivos em flash, etc) do portal odiario.com não é permitida e, caso se configure, poderá ser objeto de denúncia tanto nos mecanismos de busca quanto na esfera judicial. Se você possui um blog ou site e deseja estabelecer uma parceria com odiario.com para reproduzir nosso conteúdo, entre em contato pelo e-mail parceria@odiario.com.