• Cultura do urucum em decadência

  • Luiz de Carvalho

As geadas que atingiram o Paraná em julho e agosto podem ter decretado o fim do conceito de Capital Paranaense do Urucum que o município de Paranacity (a 70 quilômetros de Maringá) detém há mais de três décadas.

A expectativa é de que pelo menos a metade dos plantadores de urucum da região erradiquem seus plantios e os substitua por culturas que se apresentam mais rentáveis, como a cana-de-açúcar e a mandioca.

De acordo com um dos plantadores mais tradicionais de Paranacity, João Trindade Lopes, as geadas apenas convenceram de vez que está na hora de mudar, pois a cultura vem com problemas nos últimos 10 anos, principalmente devido à queda nos preços.

O próprio Lopes, que tinha 200 hectares com a planta, já erradicou 150 hectares e não descarta a possibilidade de destinar a totalidade de sua propriedade para outras culturas.

"O urucum foi muito vantajoso para nossa região, uma alternativa de renda muito boa para pequenas propriedades rurais, somada a outros segmentos do setor agrícola, garantindo a diversificação para a propriedade", diz o produtor.

Douglas Marçal

Legenda

"Mas ultimamente, além da queda nos preços, que desestimulou muitos plantadores, há a dificuldade para se contratar mão de obra".

Segundo ele, os trabalhadores braçais da região estão trabalhando para uma usina de álcool e açúcar e na hora da colheita do urucum falta quem faça o trabalho na lavoura.

O começo

O urucum, que em tupi guarani significa vermelho, foi plantado pela primeira vez em Paranacity na década de 70 e, devido às condições de clima e solo, obteve bons resultados e vários pequenos proprietários de terras optaram pela planta consorciada a outras culturas. Além de Paranacity, a cultura alastrou-se por municípios como Colorado, Cruzeiro do Sul, Itaguajé, Inajá, Paranapoema e outros, sendo plantada até nas faixas de domínio das estradas da região.

De acordo com o agrônomo da Emater Marcelo Hussar Manfiolli, a região chegou a ter mais de mil hectares plantados com urucum, cultura que teve grande impulso com a procura pela indústria de cosméticos, porém entrou em declínio com o excesso de demanda, já que outros Estados também fomentaram plantios. "Com a oferta excessiva, houve a queda dos preços".

Assim, o quilo de urucum que custou até R$ 2,70 três anos atrás, na semana passada estava em R$ 0,80 e nesta semana voltou a subir, mas ainda longe do que já foi.

Sobrevivência

Mafiolli não acredita no fim do urucum na região de Paranacity por considerar que mesmo com preços desestimulantes e a dificuldade para contratar mão de obra para os tratos culturais e colheita, a planta continua sendo uma boa opção, mais rentável do que a maioria das culturas exploradas pela agricultura familiar.

Mas o técnico agrícola José Pedro Salomão, que planta urucum junto com mandioca, não descarta a possibilidade de reduzir ainda mais seu plantio, que vem ano a ano dando lugar à mandioca. Neste ano ele esperava colher 4 mil quilos por cada um dos cinco hectares plantados, mas após as geadas vê que a produção não chegará nem à metade do previsto.

"A geada pegou bem na fase de granação e com isso semente não completou seu ciclo e muitas cápsulas estão vazias. Mesmo o que deu para colher perdeu em qualidade e peso", diz João Lopes. A perda no peso passa de 20%, segundo o técnico.

 

Vermelho
4% é a média do teor de corante encontrado no urucum de Paranacity, considerado excelente

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