• Campo é recordista em acidentes de trabalho

  • Luiz de Carvalho
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Apesar de a mecanização ter reduzido a quantidade de trabalhadores na área rural, a agropecuária continua sendo campeã no índice de acidentes de trabalho, inclusive com mortes, superando até a construção civil. Só na região de Maringá, em quatro anos seis pessoas morreram enquanto trabalhavam no campo, vítimas de tombamento de tratores a picadas de abelha.

Ao despejar um saco de espigas de milho para serem debulhadas em uma colheitadeira, na manhã de quarta-feira, em Floraí (a cinquenta quilômetros de Maringá), o jovem Cristiano de Oliveira Monteiro, 21 anos, acabou tragado pela máquina e perdeu as duas pernas.

Ele foi a segunda pessoa a perder os membros inferiores em colheitadeiras no trabalho rural naquele município e, segundo os médicos, não terá mais condições de trabalhar no campo. Segundo a Organização Mundial do Trabalho (OIT), de cada três acidentes ocorridos no meio rural, um causa incapacidade permanente do trabalhador.

A OIT detalha que dentre as atividades agrícolas, a operação com tratores, colheitadeiras e outros equipamentos motorizados é a que oferece o principal risco de acidentes, respondendo por 13% de todos eles.

A assistente administrativa do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Maringá, Alda Gomes Ferreira, diz ser difícil fazer o acompanhamento dos acidentes de trabalho no segmento, porque somente os casos mais graves, geralmente os que resultam em morte, chegam ao conhecimento das autoridades. Quem trabalha por conta própria ou presta serviço temporário raramente registra ocorrência.

De acordo com Alda, em Maringá é pequeno o número de acidentes por serem poucas as propriedades rurais, mas sabe-se que nos canaviais da região acontecem pequenos acidentes quase que diariamente, que dificilmente são informados.

"Os acidentes mais graves, iguais aos de Floraí, geralmente envolvem máquinas e trabalhadores sem preparo, que não estão habilitados para lidar com elas", afirma.

A sindicalista destaca que os operadores de tratores e colheitadeiras passam por treinamentos, mas durante o trabalho são admitidos trabalhadores temporários, que às vezes não têm profissão definida e procuram empregos nas fazendas em períodos de colheita para tarefas simples, como recolher espigas que caem das máquinas. "São pessoas sem noção dos riscos oferecidos pelas máquinas", ressalta.

As informações do sindicato de Maringá são confirmadas pelas entidades de Nova Esperança e Astorga, que acrescentam a aplicação de defensivos químicos como outra causa comum de acidentes no campo.

 

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15 dias é o tempo que o trabalhador afastado recebe do patrão, acima é indenizado pelo INSS

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