• Rodovia tem baixo fluxo e alto índice de vítimas

  • Luiz de Carvalho
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Rodovia considerada de pouco movimento, a PR-489 é uma das que mais matam no noroeste do Paraná, especialmente no trecho de 15 quilômetros entre as cidades de Presidente Castelo Branco e Floraí (a ciquenta quilômetros de Maringá).

O curioso é que em mais da metade dos acidentes com vítimas, os condutores perderam o controle do veículo, saíram da pista e capotaram.

Em dois anos, 17 pessoas perderam a vida em acidentes na rodovia. Três delas em 24 dias de outubro. São números que a Polícia Rodoviária Estadual (PRE) considera altos, justamente, pelo baixo fluxo de veículos.

Para os patrulheiros, mais de 90% dos acidentes ocorrem por descuido do motorista ou motociclista, que, pelo pouco movimento, se distraem e podem ser surpreendidos por curvas ou mesmo outros veículos.

A tese da Polícia Rodoviária inclui o acidente ocorrido nesta quarta-feira, quando um motorista morreu em um trevo ao chocar o carro dele com a carroceria de um caminhão carregado de pedras decorativas.

 

Erica Biazotto/Tribuna de Cianorte

Nesta quarta-feira, foi retomado o movimento pela duplicação da rodovia que mais provoca mortes na região

 

Há também o caso de dois motociclistas, ambos menores de 18 anos, que trafegavam no mesmo sentido e se tocaram em alta velocidade. Um deles morreu no local.

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Os patrulheiros relatam ainda que são comuns casos onde os motoristas saem da pista sozinhos e sobem no barranco. O ex-prefeito de Paraíso do Norte (a 99 quilômetros de Maringá) e presidente da Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar), Anísio Tormena, e o idoso Sebastião Paulino de Moraes perderam a vida dessa maneira.

Neste mês, a jovem Naísa Molena, 18 anos, morreu quando o carro onde estava com outras pessoas bateu contra a canaleta e capotou e James Balera Garcia, 26, também faleceu, quando perdeu o controle do carro em uma curva, saiu da pista e capotou.

"É claro que a pista não é das melhores, mas a maioria dos acidentes ocorre por imprudência do condutor", disse o comandante da 4ª Companhia da PRE, capitão Ademar Carlos Paschoal. Ele afirma que, independente das condições da via, "é importante que o motorista ou motociclista se policie, obedeça à velocidade permitida para o trecho e evite o excesso de confiança".

Para Paschoal, o baixo fluxo de veículos contribui para que o motorista se descuide. "Está provado que quando o movimento é menor o condutor se torna menos atencioso e, assim, pode ser surpreendido a qualquer momento".

Ele cita o exemplo da PR-317, que quando foi duplicada no trecho Maringá-Floresta apresentou um aumento no número de acidentes em 20%, quando deveria ter ocorrido o contrário.

Os motoristas que usam o trecho com frequência discordam da PRE. O caminhoneiro José de França, que mora no interior de São Paulo e transporta cargas para o Paraná, disse que usa sempre a estrada e a considera perigosa por ter sinalização deficiente.

Já o funcionário público Antônio Mansano Júnior, que dirige uma ambulância da Saúde Pública de Floraí, cita o tráfego de caminhões canavieiros e de olarias.

"A gente pensa que essa estrada ainda é calma como antes, mas, além dos caminhões das usinas, ela passou a ser rota para que vai fazer compras no Paraguai e esses motoristas geralmente não conhecem a estrada", avalia.

 

Desatenção
90% é o porcentual dos acidentes que ocorre por alguma forma de descuido dos motoristas

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