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02/11/2011 às 02:00 - Atualizado em 02/11/2011 às 02:00
Um censo deve traçar o perfil de usuários de drogas psicoativas – legais e ilegais – dentro das universidades estaduais. Cerca de 100 mil pessoas de todas as instituições de ensino superior custeadas pelo governo, entre elas a Universidade Estadual de Maringá (UEM), devem integrá-lo. A pesquisa piloto que deve orientar as próximas etapas foi feita na semana passada, na Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap), em Curitiba.
Com o compromisso de manter os questionários em sigilo, a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior informou que o projeto do Grupo de Trabalho para Enfrentamento ao Crack e outras Drogas (GT-Drogas) surgiu "da constatação do crescente consumo de drogas lícitas e ilícitas, principalmente por jovens, e da inexistência de um estudo semelhante."
Encarar o uso de drogas como normal – mesmo que seja comum – é um dos problemas apontados por grande parte da comunidade acadêmica. Em 18 de setembro, o aluno de Direito da UEM Tiago Gustavo Crozatti Machado, 29 anos, foi assassinado a poucos metros da instituição.
Ele fumava crack e consumia álcool. Mesmo assim, no velório, colegas disseram que ele não parecia ser usuário. "No máximo uma maconha, mais leve", disse um.
"Ontem (segunda-feira, 31) mesmo tinha um grupo aqui (Bloco F-05), às 9 horas da manhã, fumando maconha. Os seguranças vieram, mas não puderam abordá-los. Ficamos sem ter o que fazer. O pior é que não podemos falar nada, senão eles jogam na nossa cara que somos técnicos, não temos estudo suficiente. Só que nós pagamos os estudos deles.
Pagamos para que eles estudem, não para matar aula e usar drogas", relata a auxiliar de manutenção Sônia Lopes.
Outros servidores da UEM apontam a resistência histórica contra a presença da Polícia Militar (PM) na universidade como a responsável por fazer do lugar um local ideal para usuários. Mas esta hipótese é descartada pela Prefeitura do Câmpus (PCU). De acordo com o prefeito Igor Valques, o consumo de drogas no local é um problema "como em qualquer lugar."
"Só estamos um pouco mais vulneráveis em função do trânsito livre. Não é verdade que a polícia não entra no câmpus. Eles respeitam o nosso espaço, mas se existe a necessidade, nós os acionamos. E se eles desconfiarem de alguma coisa, podem entrar aqui sem o chamado", afirma Valques.
A aluna de História Juliana Ferreira Sorroche diz que o problema não é tão intenso como o divulgado. "Mas incomoda de qualquer maneira. Eu já vi muita gente usando maconha no câmpus", conta.
De acordo com a coordenadora geral do projeto, a técnica da Universidade Estadual do Oeste (Unioeste) Michelle Sauer, a intenção é identificar quais as drogas mais usadas, a frequência e o segmento mais afetado e, a partir daí, definir ações para minimizar as consequências deste uso.
"Será possível ter subsídios para definir medidas preventivas e de tratamento, considerando a realidade de cada instituição e permitindo que o usuário não interrompa a sua rotina de estudo ou trabalho e tenha mais qualidade de vida", explicou.
A presença de drogas na UEM é comum?
Fotos/Douglas Marçal
Sim, os alunos usam
drogas. A questão dos
sarau, por exemplo, eles
fazem com a desculpa
de ser um evento
cultural, mas é um lugar
para utilizar drogas.
Fernando Santos
Professor
A gente sempre vê.
Alguns contam que não
acontece apenas entre
estudantes. Dizem que
alguns professores vêm
dar aula "turbinados".
Cristina Sousa
Funcionária de
fotocópias
Estou aqui na UEM há
dois meses e ainda não
vi nada aqui dentro. Mas
ao redor, na Zona 7 e
Vila Esperança vi muitos
usuários.
Renato Tonhá
Estudante de
pós-graduação
02/11/2011 às 02:00 - Atualizado em 02/11/2011 às 02:00
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