• Agricultores começam colheita com expectativa de perda na região de Maringá

  • Luiz de Carvalho
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As variedades precoces de soja, plantadas mais cedo para permitir que o produtor dê início aos trabalhos com do milho safrinha, já estão em ponto de colheita, e nesta semana as colheitadeiras entram em ação em vários municípios da região de Maringá. Mas os poucos produtores que começaram a colher se decepcionaram com os primeiros resultados, e a esperança agora são as variedades conhecidas como resistentes, que só começam a ser colhidas a partir da segunda quinzena de fevereiro.

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Se não voltar a chover nos próximos dias, ainda nesta semana praticamente toda a soja precoce plantada na região estará sendo colhida, a exemplo do que já ocorre nas proximidades de Umuarama e Cascavel.

O produtor Luiz Carlos Ryzik iniciou domingo a colheita de soja precoce na fazenda da Estrada Pacote, em São Jorge do Ivaí, e a média até ontem era de pouco mais de 80 sacas por alqueire, bem abaixo do esperado. Produtores de Floraí também estão colhendo uma média de 80 sacas, fato registrado igualmente em Itambé. Em Mamborê, próximo a Campo Mourão, os primeiros números da produtividade são ainda mais decepcionantes.

Douglas Marçal

Trabalhador rural trabalha na dedetização da soja na região de Maringá; insumos são fatores encarecedores da produção nesta safra

"A baixa produtividade com as variedades precoces já era esperada depois da estiagem prolongada em dezembro e parte de janeiro, mas aqui mesmo na região tem produtor que vai colher até 160 sacas por alqueire, compensando a perda com a precoce", diz o vendedor Daniel Vansan, da unidade da Cocamar em São Jorge do Ivaí.

"Abaixo de cem sacas por alqueire é prejuízo", diz o plantador Ademir Sarre, que trabalha em uma propriedade da família no distrito de Floriano. "Depois das despesas de plantio e quatro ou cinco aplicações de defensivos até que a soja chegue ao ponto de colheita, o produtor só pode considerar que a safra foi positiva acima de 100 sacas por alqueire." Segundo ele, se o plantador trabalhar em terra arrendada, o pagamento gira em torno de 40 sacas, e as despesas de custeio também se aproximam de 40 sacas. "O que passar de 100 sacas, sendo arrendamento ou não, aí é lucro", diz.

MENOS


15,3 milhões
toneladas de soja foram
cohidas na safra anterior;
3,6 milhões a mais que este ano

As chuvas da semana passada podem garantir uma safra "satisfatória", como diz o plantador Rosemar Adriano de Carvalho, o Dico, que ontem fazia a última aplicação de defensivos antes de iniciar a colheita. "O que se perdeu com a seca não tem mais jeito, mas a soja mais resistente sentiu menos os problemas do clima." Ele espera colher acima de 130 sacas por alqueire na propriedade em Floriano.


Na região

O mais recente relatório de estimativa de perdas por conta da estiagem, divulgado pela Secretaria de Estado da Agricultura e preparado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), mostra que a região de Maringá foi uma das menos prejudicadas, entre as que plantam soja, pela falta de chuvas.

A redução deve ficar em torno de 9,5%, ao passo que na região de Francisco Beltrão a quebra chegará a 37%, mais de um terço do estimado na época do plantio. A perda no sudoeste é praticamente quatro vezes maior do que a dos agricultores maringaenses.

As regiões que devem sofrer as maiores perdas com a estiagem, além de Francisco Beltrão, são as de Toledo (35,7%), Umuarama (32,9%) e Cascavel (31,8%).

Inicialmente estimada em 14,11 milhões de toneladas, a safra de soja paranaense foi reavaliada para 11,65 milhões, com uma quebra que deve girar em torno de 17,3%, o que significa que cerca de 2,44 milhões de toneladas não serão produzidas. Em dinheiro, isso significa algo em torno de R$ 1,76 bilhão.


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