Um adolescente de 14 anos está internado no Hospital Universitário de Maringá (HU), após ter sido agredido por dois rapazes em um ponto de ônibus próximo ao colégio Instituto de Educação de Maringá (IEEM), onde o suposto agressor e a vítima estudavam. A motivação do ato violento, segundo o Conselho Tutelar, seria a homofobia.

Conforme o conselheiro tutelar Carlos Bonfim, a vítima estava sendo perseguida há tempos por um aluno da escola, que fazia ameaças constantes. A mãe disse ao CT que já teria, inclusive, procurado a direção da escola para informar sobre a situação e foi orientada a registrar um boletim de ocorrências, mas a escola nega que tenha sido informada anteriormente sobre a suposta perseguição ou agressões sofridas pela vítima.

Na quarta-feira (9), o aluno que perseguia a vítima se juntou a um outro rapaz, que aguardava fora da escola, e os dois começaram a empurrar o estudante e, após derrubá-lo, desferiram vários pontapés. "Ele [a vítima] terá que passar por uma cirurgia de reconstituição da face. Ele está estável, mas foi bem grave. É a primeira vez que atendemos um caso assim", relata Bonfim.

A agressão a um adolescente, motivada por intolerância aos homossexuais, gerou preocupação entre os conselheiros tutelares, que temem que situações assim venham a se repetir. "Vamos pedir informações à escola, para saber porquê não tomaram providências antes disso acontecer, como, por exemplo, transferir o aluno [vítima] para outra escola, já que sabiam das perseguições, ou mesmo ter chamado o Conselho Tutelar", explica Carlos Bonfim.

Neide Gomes Clemente, diretora-geral do IEEM, afirma que a escola mantém registros sobre os alunos e das visitas dos pais, mas que não há qualquer registro relacionado à perseguição ou agressão que o menino viesse a ter sofrido anteriormente. "Quando o Conselho vier nos procurar, vamos discutir, porque, nos registros que temos, não há essa informação. Não houve omissão. Quando sabemos de alguma briga que vai acontecer, acionamos a patrulha escolar e, nesse caso, não fomos informados de algo que demandasse um acompanhamento melhor ou uma medida protetiva", garante.

Nesta sexta-feira (11), o boletim da agressão será impresso e o adolescente suspeito de ter agredido o outro será chamado para prestar esclarecimentos e informar quem era o outro jovem que participou da agressão.

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