• Operação tenta desarticular redes de tráfico na cidade

  • Roberto Silva

A Polícia Civil desencadeou na manhã de ontem uma grande operação com o objetivo de desarticular 3 grupos criminosos suspeitos de envolvimento com o tráfico de entorpecentes e homicídios nas cidades de Maringá e Sarandi.

O principal alvo da operação, um rapaz acusado de matar uma mulher, mês passado, no Jardim Alvorada, em Maringá, não foi localizado.
A polícia suspeita que ele tenha sido alertado da operação e fugido durante a noite de terça-feira ou início da madrugada de ontem. Na casa dele, os policiais encontram o guarda-roupa revirado e a cama desarrumada, o que reforça a suspeita de vazamento de informação da ação policial.

A operação, que contou com a participação de 5 delegados e 36 investigadores de Maringá, Apucarana e Curitiba, foi desencadeada por volta das 6h para dar cumprimento a 9 mandados de busca e apreensão – 8 deles em Maringá - e um mandado de prisão preventiva.

O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), que investiga 67 homicídios não esclarecidos ocorridos entre junho de 2007 e fevereiro deste ano em Maringá, enviou um delegado e 3 agentes para acompanhar os trabalhos.

Outro objetivo da operação era tentar localizar uma pistola calibre 9mm usada em diversos homicídios e que também poderia ter sido empregada no atentado contra a Câmara Municipal, dia 29 passado.

Para a polícia, a hipótese mais provável é de que o atentado pode ter sido realizado para desestabilizar o atual comando da 9ª Subdivisão Policial (SDP), que atua em conjunto com o Gaeco.

"Se as nossas suspeitas forem confirmadas, só nos resta a dizer que o plano fracassou. Esse tipo de ameaça não nos intimida, muito pelo contrário, serve para comprovar que estamos no caminho certo", desabafou o delegado-chefe Osnildo Carneiro Lemes.

Divulgação

Policiais invadem a residência de Cassiano Batistiolli, no Jardim Paris III; contra ele, havia um mandado de prisão preventiva pelo assassinato de uma traficante, no mês passado 


Para Osnildo Lemes, operação mostra que polícia está atenta

Ação

Apoiada por policiais do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e da Divisão Policial do Interior (DPI), a Polícia Civil de Maringá atacou os alvos da operação de forma simultânea. A estratégia foi usada para impedir que os investigados mantivessem contato com comparsas, orientando-os a sumirem com drogas, armas ou qualquer outro tipo de prova que pudesse incriminá-los.

Em pelo menos duas casas, a polícia se deparou com sistemas sofisticados de segurança, como muros altos, portões reforçados, cercas elétricas e câmeras de vigilância.

Foco principal da operação, Cassiano Aparecido Batistiolli, 20 anos, não foi encontrado em sua residência, um imóvel de alto padrão localizado no Jardim Paris III, zona norte de Maringá. Segundo a polícia, Cassiano – que é filho de Benedito Aparecido Batistiolli, o Dito, preso no mês passado numa operação desencadeada pela Polícia Federal (PF) - é apontado como autor da morte da traficante Silvana Alves Cordeiro, 37, executada a tiros, no dia 13 de julho, no interior de sua residência, no Jardim Alvorada. Ao tentar impedir o crime, uma menina de 12 anos de idade, filha de Silvana, foi alvejada com um tiro na perna.

As investigações revelaram que Silvana teria sido morta por dois motivos. O primeiro, dá conta de que ela teria agredido a mulher do traficante Gilmar Granjeiro Junho, o Primo, que encontra-se recolhido na Casa de Custódia de Maringá (CCM) em aguardo de julgamento.

Batistiolli não foi

encontrado

O outro, indica que Silvana – que comercializava pequenas porções de drogas no bairro onde residia - estaria recusando quitar dívida de R$ 200 contraída com um dos membros da família Batistiolli, que, segundo a PF, controlava a maior rede de tráfico da história de Maringá.

O crime começou a ser elucidado após dois filhos de Silvana reconhecerem o desempregado Rodrigo Fonçati, 24, conhecido como Piercing, e Cassiano como autores do crime. Preso 3 dias após o homicídio, Fonçati não só confirmou ter ajudado a render as crianças como apontou Cassiano como sendo o autor dos disparos.

Ouvido, dias depois, em interrogatório, Cassiano negou envolvimento no crime e foi colocado em liberdade. No entanto, diante das provas coletadas pela Polícia Civil, ele teve a prisão preventiva decretada terça-feira passada.

Resultado

A operação, que resultou na apreensão de um chassi de moto com a numeração desbastada, um Vectra e cinco gramas de cocaína, foi encerrada por volta das 9h.

Apesar de não ter registrado nenhuma prisão ou apreensão relevante de drogas ou armas, o delegado Osnildo Lemes afirmou que o trabalho serviu para demonstrar às quadrilhas que a polícia está atenta e disposta a esclarecer todo e qualquer crime que ocorra na cidade.

"Esses grupos são responsáveis pela maior parte dos homicídios, furtos e roubos ocorridos em Maringá e região e por isso é tão importante combatê-lo", afirmou Carneiro, ressaltando que o Cope permanecerá na cidade por tempo indeterminado para auxiliar na conclusão de outras investigações.

 

Saiba mais

 

Advogado contesta acusação
A acusação contra Cassiano Aparecido Batistiolli, principal alvo da operação desencadeada ontem pela Polícia Civil em Maringá, é contestada pelo advogado criminalista Marcelo Teodoro da Silva, de Paiçandu. Segundo ele, tudo não passaria de uma trama para tentar incriminar seu cliente.
"Não há nexo nenhum nessas acusações. Tanto é verdade, que a vítima era parente da mãe de Cassiano", afirmou o advogado, que se mostrava indignado com o tratamento dispensado a seu cliente.
Silva disse que entrará em contato com a Comissão Nacional de Direitos Humanos, em Brasília, e com Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subseção Maringá, denunciando a facilidade, segundo ele, com que o Poder Judiciário de Maringá está expedindo mandados de busca e de prisão.
"Analisando os autos, percebe-se que não há uma prova concreta que justifique a expedição destes mandados", desabafou o advogado criminalista.

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