Todos os anos, quando o MEC divulga a nota média dos estudantes de cada escola no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) os principais veículos de mídia correm para divulgar o rankings das escolas no exame. No entanto, escolher a escola com base nesses rankings pode não ser a melhor opção. Sergio Andrade, cofundador do site www.melhorescola.net nos contou 5 motivos para que as famílias não escolham a escola baseadas nesses rankings:

1- Algumas escolas burlam o sistema para aparecer entre as primeiras

Há escolas com número muito grande de alunos que criam CNPJs para colocar apenas os melhores alunos. Fazendo isso, elas figuram entre as primeiras posições do ranking para gerar Marketing. Mas a realidade é diferente. A escola, sem selecionar apenas os melhores alunos, fica bem longe do top 10 ou 20 do ENEM.

Difícil defender uma prática como essa... ainda mais se considerarmos o contexto da educação. Quais valores essas escolas estão passando aos nossos jovens? Vale tudo para estar entre os primeiros?

2- “Diga-me como me medes que te direi como me comportarei”

Se medirmos a qualidade de uma escola apenas pelo número de alunos que ela aprova no vestibular ou pela nota média de seus alunos num exame nacional, como essas escolas seriam estruturadas para atender essa demanda?

Elas se importariam com a vivência e cidadania dos alunos? Atividades extracurriculares seriam estimuladas? E as habilidades socioemocionais que são tão importantes para a vida adulta, receberiam uma atenção especial dessas escolas? Valores positivos para a sociedade como colaboração seriam transmitidos?

Provavelmente não, pelo menos não com a importância devida, já que o foco principal é a competição em uma prova. Elas estariam criando pessoas boas em realizar um teste específico. Em competir.

3- Escolas do ensino fundamental e infantil não podem participar

“Como adotar um modo de medir as escolas que exclui 87% das escolas brasileiras? No Brasil temos 193 mil escolas das quais apenas 26 mil possuem ensino médio. Anos importantes da formação dos estudantes são dessa forma desconsiderados por esses rankings do ENEM.” argumenta Sergio.

4- Avaliar todas as escolas com uma prova padrão acaba por desestimular a diversidade cultural, de ideias e conhecimento

Como querer medir o conhecimento por testes padrões num país com diversidade cultural e regional tão grande? Por exemplo, como uma pessoa que mora em uma cidade pequena no interior poderia responder uma questão sobre um elevador da mesma forma que um jovem de cidade grande? Ou como o jovem de cidade grande poderia responder uma questão sobre as marés com a mesma capacidade e experiência vivida que um jovem que mora no litoral?

Forçar todos os jovens a saber as mesmas coisas, pode desestimular algo que temos de tão rico no Brasil: a diversidade cultural. ”comenta Sergio.

Perguntamos então ao Sergio Andrade e ao Juliano Souza, sócios do maior site de buscas de escolas no Brasil, o www.melhorescola.net, qual seria a melhor forma de ranquear as escolas. Segundo eles, a melhor forma é ranquear as escolas pela opinião de quem mais sabe sobre as escolas, pela opinião de pais, alunos e professores.

“Nós acreditamos que o ENEM não é a melhor forma de ranquear as escolas. Isso não quer dizer que o ENEM não seja uma informação relevante para a tomada de decisão dos pais e alunos. Por isso, a informação do ENEM faz parte da página das escolas no site. O usuário, em sua busca, pode também ordenar as escolas, dentre outras opções, pelo resultado do ENEM.”

“Acreditamos que a decisão de como ordenar a busca deve ser do usuário e não nossa. No entanto, temos uma proposta para tratar esse assunto: um ranking considerando a opinião de pais, alunos e professores”, comenta Sergio.

Veja no link http://bit.ly/2dNSsfB o ranking por avaliação de pais e alunos das escolas da cidade de São Paulo. Segundo os dois sócios, a ideia é levar os rankings baseados na opinião de pais e alunos para todas as cidades brasileiras.

“Acreditamos que ao rankear as escolas dessa forma, estamos dando mais transparência à educação brasileira e consequentemente contribuindo para sua melhoria”, conclui Juliano Souza.

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