O vice-procurador-Geral da República, Nicolao Dino, afirmou nesta quarta-feira, 23, que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi "ludibriado" por executivos do grupo J&F ao firmar os acordos de delação premiada deles. A declaração foi dada durante sustentação oral perante o pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), durante a sessão em que os ministros da Corte analisavam pedido da defesa do presidente Michel Temer para suspender eventual segunda denúncia apresentada por Janot contra ele, até que as provas obtidas por meio dessa delação sejam analisadas pelo Ministério Público e pelo STF.

"O procurador-geral da República foi ludibriado, houve omissão de informações", afirmou Dino. As omissões teriam sido reveladas por novos áudios de conversas entre o empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F, e ex-executivo Ricardo Saud. As gravações levantam suspeitas de que os dois delatores manipularam provas da delação. Além disso, provocaram suspeitas de que o ex-procurador da República Marcelo Miller, que fez parte da equipe de Janot, atuou dentro da PGR a favor dos delatores, enquanto ainda estava no cargo. Após deixar o posto, Miller virou advogado do escritório que comandou o acordo de leniência do grupo J&F.

Para o vice-procurador-geral, esses fatos não invalidam as provas. Para ele, as provas só serão examinadas após Janot apresentar eventual segunda denúncia e, se a Câmara dos Deputados aprovar a admissibilidade dela. "Esse juízo de admissibilidade sequer foi exercido, porque sequer foi proposta ação penal", disse. Na avaliação de Dino, o Supremo não pode fazer essa pré-avaliação no bojo dos "estreitos limites" da questão de ordem apresentada pela defesa de Temer. "Por todos esses aspectos, a PGR insiste no argumento da rejeição da questão", acrescentou.

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